Itália - Veneza

Itália - Veneza

Roteiro: dois dias em Veneza

Há cidades que são únicas, no real sentido da palavra: elas não são comparáveis a outras, uma vez que reunem características arquitetônicas e geográficas que não se reproduzem em outros lugares. Veneza é um bom exemplo. Uma cidade costurada por canais e vielas apertadas, que nos impressiona por toda o tempo. Não pense, contudo, que seja uma cidade fácil de transitar. Pelo contrário, a multidão de turistas em vielas transforma a cidade em alguma coisa que beira o desagradável. Mas não sejamos egoistas, todos querem ter o prazer de pisar em seu solo! Estivemos em Veneza duas vezes: uma no verão; outra no inverno. Duas cidades, é lógico. No verão o calor, para quem não gosta dele, pode ser um bom obstáculo para as caminhadas. Mas é preciso reconhecer, há vantagens: a principal delas é a luz do dia que tarda em deixar a cidade. No inverno descortina-se uma outra Veneza. Quase sempre escondida por detrás de uma névoa branca e insistente. Linda, mas não permite que admiremos a beleza ao seu redor como faríamos durante o verão. Vantagens aqui, probleminhas ali, ficamos com o inverno. Nossa última visita à cidade, feita no inverno 2015/2016, organiza boa parte de nosso roteiro.

 

 

Dia 1:

 

 

A primeira questão para quem chega em Veneza é como pisar no chão do hotel! Se sua entrada na cidade se der pela Estação de Trem Santa Lucia, observe com o devido cuidado em que lugar seu hotel está instaldo. Uma sugestão: tome como referência o Canal Grande (aquele imenso que passa, justamente, em frente da estação). O nosso comentário não é trivial. Lembramos que ao sair de Veneza, em um dia muitíssimo frio, chegava em Santa Lucia um grupo de brasileiros. Uma senhor se postou à frente da estação e disse: "o hotel deve ficar por aqui". Logo notamos que todos se enrolavam com o mapa, então partimos em seu socorro. "Ahhh brasileiros", fomos saudados com alegria. Logo vimos que o hotel dos colegas viajantes se situava nas redondezas da Piazza de San Marco, isto é, simplesmente do outro lado do Rio Grande! Ficaram decepcionados quando demos o triste veredicto de alguma coisa como 40 minutos de caminhada! O pior: com malas imensas e de rodinha! (nada pior para uma cidade como Veneza).

 

Na parte inferior do mapa a Estação de Santa Lucia; na parte superior a Piazza de San Marco

 

 

Nós havíamos chegado em Veneza dias antes, também pela estação de Santa Lucia. 21:30h, temperatura de zero grau, muita, muita névoa. Estávamos confiantes de que poderíamos ir à pé para o hotel, que também se situava nas proximidades da Piazza de San Marco. E foi assim: 40 minutos de caminhada! Mapa? Não tinhamos e logo descobrimos que ele não é muito útil em uma cidade como Veneza. Não há como ficar procurando no papel vielas. Mas não se preocupem, a cidade nos ajuda: a setas que indicam o caminho a seguir em diversas vielas. 

 

Os caminhos de Veneza

 

 

Aqueles que não gostam de andar ou simplesmente não tem condições (como nossos colegas viajantes acima), uma alternativa é fazer uso dos vaporetos. Justamente em frente à estação de trem há um ponto de embarque. Entenda que eles são como ônibus nas ruas aquáticas de Veneza.

 

Ao fundo a Estação de trem Santa Lucia; à frente o vaporeto

 

A notícia ruim é que o transporte público em Veneza é considerado um dos mais caros da Europa. Um único bilhete para embarque no vaporeto custava (em dezembro de 2015) 7,50 euros. Há também táxis (lanchas). Pelo que pudemos ver estão na faixa de 100 euros a viagem. Gôndolas? São charmosas, não? Passeio sai por 80 euros! Como se vê, Veneza não é uma cidade barata, caso o viajante queira fazer uso dos seus diferentes meios de transporte.

 

 

"ACTV (companhia de transporte público de Veneza) não te pago mais!" (parece que não éramos os únicos insatisfeitos com os preços do transporte público em Veneza.

 

 

 

Veneza no verão de agosto de 1998

 

 

Com nossas econômicas mochilas nas costas partimos rumo às vielas. Observe o mapa, seguimos praticamente - em zigue-zague, é claro - direto até o topo do mapa. Apesar do transtorno inicial, podemos garantir, é lá no topo que se encontra o melhor lugar para você se instalar em Veneza.

 

 

Veneza, dezembro de 2015

 

 

Gôndolas no verão veneziano

 

 

A primeira atração em seu primeiro dia não pode ser outra senão a famosa e interessante Piazza San Marco e a Basílica de San Marco. A primeira é uma praça ampla e repleta de gente.

 

San Marco sob a névoa

 

 

Curta e tire merecidas fotografias da praça e siga para o Palácio Ducale. Uma construção que teve inicio no século 9, foi sede da magistratura veneziana. Sua visita é uma aula de história da cidade. Caso pretenda entrar no palácio, um conselho: esteja à sua frente por volta das 8:30h, caso contrário enfrentará - pelo menos no período da alta estação - uma fila de desanimar. 

 

O pátio de acesso ao Palácio Ducale

 

O palácio se conecta, por intermédio de uma ponte, às chamadas Prisões novas. Hoje, vemos ali, uma multidão de turistas fotografando a passagem, também conhecida como "ponte dos suspiros". Em geral se remete ao romantismo de Veneza. Mas a relação é falsa, uma vez que o "suspiro" era um último respirar de liberdade. Afinal, quem ali passava seguia para a prisão!

 

a Ponte dos suspiros

 

Se visitou o Palácio Ducale, podemos concluir que você está no início da tarde. Espero que tenha almoçado, nossa sugestão é que siga em frente (em direção à área onde se realiza a Bienal de Veneza). O caminho é muitíssimo agradável e guarda belíssima vista da cidade.

 

Almoçamos em um restaurante de nome "Antico Calice". Preço somente razoável, o melhor foi o seguinte: notamos que ele era frequentado pelos gondoleiros. Ou seja, se os locais frequentavam, certamente não era um típico de lugar muitíssimo caro e repleto de comida congelada para turísticas

 

 

 

A vida de viajante não é só feita de facilidades e glórias. Por exemplo, banheiro? Veneza, ao contrário de outras cidades européis, possui banheiros públicos. Estão sinalizados. Não podemos exatamente animá-los quanto a higiene, mas para situações de emergência podem ser bem-vindos.

 

 

 

Ao final do percurso o visitante se deparará com uma Veneza, digamos, menos turística e mais domiciliar. Há uma interessante pracinha (Parco delle Rimembranze), literalmente em um ponta que se lança no Mar Adriático. Um sossego que não encontramos nas imediações da Praça San Marco. Foi muito bom ter andado por ali.

 

Esperamos que não precisem, mas há ambulância aquática!

 

Daí em diante voltamos para rumo a Piazza de San Marco, à medida que iamos nos aproximando, uma multidão de turistas passava a disputar conosco um pedacinho de chão. Naquele final de tarde e início de noite fria de rachar ficamos por ali curtindo as luzes da cidade e o movimentar de gente de todo canto do mundo.

 

 

Tínhamos programado, para o início da manhã seguinte, um passeio pela ilha de San Giorgio. Mas desistimos. A névoa era densa e insistente, achamos que não compensaria o gasto de 45 euros (alguma coisa como 200 reais) para um passeio que, muito provavelmente, seria pouco produtivo. O que fizemos?

 

Resolvemos visitar uma parte da cidade que não estava em nossos planos, e valeu à pena! No dia anterior, ao sair da Piazza de San Marco, em direção ao mar, você seguiu pela margem esquerda. Agora faça o contrário, siga pela margem direita. Uma das referências é a Academia de Bellas Artes.

 

 

Punta della Dogana

 

Chegamos até a Punta della Dogana, passando por diversas coisas bancanas, como a Igreja de San Gregorio e a Basílica de Santa Maria da Saúde. O caminho, como era de se esperar, permite fotografias incríveis de Veneza!

 

 

No dia seguinte, ao pegarmos o caminho de volta para a estação de trem Santa Lucia, passamos na famosa Ponte di Rialto. Uma mistura de ponte com mercado. Tão cheia de gente que mal conseguimos admirar qualquer coisa. O melhor viria depois: uma incrível feira livre.

 

A ponte: não nos parece de bom gosto essa propaganda em um monumento histórico

 

 

Com excelentes preços, veio muito à calhar!

 

Pode dizer, ainda, que a posição geográfica estratégica de Veneza permite a montagem de roteiros que possam considerar, é lógico, visitas à outras cidades italianas, ao norte, como Milão e Gênova, até mais ao centro do pais, como Roma. Aliás, chegamos em Veneza vindos de Roma em nossa segunda visita à cidade. Partimos rumo à Zurich, na Suiça.

 

 

Permite, igualmente, roteiros que costurem visitas ao sul da França e à Austria. Em nossa primeira visita, chegamos em Veneza vindos de Marselha, no sul da França, e seguimos para Viena, na Áustria. Isso tudo sem que se faça longos deslocamentos. Para se ter uma ideia, saimos de Marselha e fizemos o chamado day-train, isto é, passamos a noite no trem, partindo de Marselha de noite, chegamos em Veneza por volta das 7:30h. Horário perfeito para tomar um café italiano e aproveitar o dia em Venezia.

 

Onde ficar? Acima já manifestamos nossa opinião: as redondezas da Praça de San Marco. É a região em que você estará mais próximo das atrações da cidade. Atente que isso não é uma vantagem qualquer, sobretudo se considerar o preço dos transportes e a dificuldade de circulação entre as vielas. Nós ficamos em um hotel que nos pareceu muito bom dentro de uma perspectiva de custo e benefício. Em primeiro lugar ele se encontra exatamente colado à praça. As instalações e o café da manhã não são invejáveis, mas deu para o gasto.

 

 

Quando ir? Como dissemos, estivemos em Veneza nas duas estações extremas: verão e inverno. No verão fomos surpreendidos por uma cidade extremamente cheia, muito difícil de circular mesmo. No inverno, ainda que a situação seja também, por vezes, desagradável, a quantidade de pessoas pareceu-nos menor se comparada àquela experiência de verão. Fica o registro: o inverno em Veneza é intenso! Nós somos acostumados à perambular em condições de frio severas e sentimos alguma dificuldade por ali. Acontece que ao frio se soma a altíssima humidade. A sensação é que o frio penetra os ossos. Talvez uma viagem na primavera ou no outono seja agradabilíssima, seja pelo clima mais ameno, seja pela menor quantidade de turistas.

 

E o que mais? Lembremos que estará na Itália. Pais maravilhoso, mas com alguns probleminhas. Os trens, por exemplo, nem sempre são pontuais. O circular de carros, de gente o do que for nem sempre é ordeiro. É preciso tomar algum cuidado. Por exemplo, em Milão, quase fomos atropelados, pois um sujeito avançou o sinal aberto para os pedestres. Abaixo nossas impressões sobre a itália. Na sequência, nossas dicas e sugestões para outras cidades italianas. Divirtam-se!

 

Ora, está em Veneza, que tal?

 

Roteiro para Roma

 

Roteiro para Milão

 

Roteiro para Florença

 

 

Tem perrengue? Alguns, acesse aqui