Brasil - Chapada dos Veadeiros - GO

Brasil - Chapada dos Veadeiros - GO

Roteiro para 3 dias

 

A Chapada dos Veadeiros está situada no norte do Estado de Goiás e compreende uma área de mais de 20 mil km2. Em seu interior, além de um parque nacional de mesmo nome, encontramos vários municípios, entre eles, Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante. Está pensando em ir para lá? Se prepare, pois o clima predominante é de deserto,  como toda a área em meio ao serrado. Bem, em função disso a região exige por parte do visitante cuidados especiais para a saúde. Beber água, por exemplo, não é algo que se possa descuidar. Para uma primeira visita, nosso roteiro explora regiões privadas (fora do parque) e também do Parque Nacional dos Veadeiros, e envolve diferentes graus de dificuldade. Para sermos francos, não imaginávamos que tudo seria tão difícil. Há trilhas que exigem bom, muito bom preparo físico do caminhante. É preciso, portanto, se certificar se terão condições de encarar a lenha. Podemos adiantar que algumas dessas trilhas nos pareceram efetivamente não apropriadas para caminhadas com crianças. Esse é o caso da Trilha da Janela do Abismo. 

 

O sinal inequívoco de que estávamos no caminho certo!

 

Antes de começar, deixem-nos compartilhar algumas palavras sobre o percurso e a fixação no local. Nós saímos de Brasília. Sequer nos instalamos na capital da República, dali pegamos um carro (e enfrentamos alguns problemas abaixo narrados) e imediatamente rumamos para a região da Chapada. O caminho é bom, depois de algumas horas você já será testemunha de paísagens absolutamente incríveis. Basta sair do emaranhado de vias e estradas de Brasília que o motorista seguirá feliz praticamente em linha reta. 

 

 

Ao chegar, onde se instalar? Nossa dica é que fiquem em Alto Paraíso de Goiás. Até onde conseguimos apurar, é a cidade que tem a melhor infraestrutura da região. Observe que, ainda assim, não estarão diante de nada absolutamente excepcional (leia: laura-no-mundo.webnode.com/products/alto-paraiso-de-goias-go/)

 

Instalamo-nos no albergue Catavento. Conforto não é uma palavra que se possa levar à sério por lá.

 

O pessoal do albergue é nota 10! Solícitos, simpáticos, mas a infraestrutura do local deixa a desejar. Os quartos eram quentes durante o dia e frios à noite, como aliás, é o clima da região durante o mês de julho. O banheiro frequentemente entupia o ralo e dava sinais de que não suportava o uso modesto de seus frequentadores. O café da manhã dá para o gasto, mas é bastante modesto. Enfim, caso o visitante não faça questão de conforto (ou algo menos que isso), essa é uma opção. 

 

 

Dia 1:

 

A ideia é a seguinte: saia cedo e se dirija ao Vale da Lua. Trata-se de uma trilha bastante acessível, com entrada por uma estrada bem asfaltada entre o município do Alto Paraíso de Goiás e o distrito de São Jorge. Indo para São Jorge, à sua esquerda, verás uma placa com a indicação de entrada. Chegar cedo é importante porque a região costuma ser visitada por multidões. Consideramos que alguma coisa como 2 horas é suficiente tanto para percorrer a pequena trilha, como aproveitar as atrações do Vale

 

 

O local não é grande: o que se vê são rochas e crateras que fazem lembrar uma paisagem lunar. Há também uma pequena piscina natural que, para os mais corajosos ou que não se importem com um banho bem frio, podem se resfriar do forte calor que faz na região (foto acima). Aqui pode começar um pouco a decepção com o local. O fácil acesso traz multidões. Estivemos no final da grande temporada e só conseguimos explorar o local com algum sossego porque chegamos bem cedo. Logo depois, a partir das 8:30h, multidões aportaram no Vale. Algumas pessoas pareciam ser pouco zelosas quanto a sua segurança e dos demais e, contrariando as normas vigentes, pulavam das pedras na água. Resumindo, viajantes, a coisa enfarofou a tal ponto que resolvemos picar a mula! 

 

 É o seu primeiro dia, certo? Que tal dali encarar uma trilha para gente grande? Se tiver disposição - e recomendamos - vá até o Mirante do Pôr do Sol, no distrito de São Jorge. Basta sair do Vale e pegar a mesma estrada que seguia rumo à São Jorge. Há uma placa, à sua direita, com indicação para acesso a S. Jorge. Seguindo as placas não será difícil encontrar o Mirante. Estacione o carro no mirante e comece a longa saga até a Janela do Abismo

 

Vista da Janela do Abisco, ao fundo o Parque Nacional dos Veadeiros

 

Trata-se de um trilha situada em uma área privada. Logo é preciso que pague uma taxa (em julho de 2015 era de 10 reais) para se ter acesso ao difícil caminho que o levará à Janela. De início a trilha pode parecer fácil, pois estará diante de um terreno mais ou menos regular e com indicações para que não se perca. Logo chegará na primeira rocha para escalar, então as coisas começam a se complicar. Primeiro sinal de que a trilha não é de fácil trato! Dali se pode ver a trilha lá em baixo a sumir no horizonte, em meio à um sol escaldante do serrado brasileiro. 

 

 

A trilha tem 8 km de extensão e é considerada de alto grau dificuldade. Podemos afirmar, com a dor que sentimos na nossa própria carne, não é fácil! Em nossa opinião, não há muitas chances de crianças, idosos e/ou pessoas com importante despreparo físico conclui-la até o fim. É verdade que as paisagens são incríveis, talvez sejam mais belas durante a estação chuvosa. Quando passamos, em julho de 2015, não tivemos a chance de curtir as águas da Cachoeira do Abismo. Estava completamente seca! Deixamos, portanto, ali de descansar e esfriar o corpo já em estado de relativo sofrimento. O que se vê ao final? Temos a vista do salto de cerca de 120 metros do Rio Preto (foto mais acima), no Parque Nacional. Precisamos confessar, tudo é belo ali, mas ver tanta água de longe não deixa de produzir um desapontamento. Em resumo, estamos diante de uma trilha que requer algum preparo físico. Caso tenha disposição e tempo a perder, eis uma excelente opção! Como o terreno é bastante irregular, nós gostamos cerca de 5:30 para ir e retornar. Não é preciso insistir que deverá estar bem abastecido de água e algum alimento compatível com uma coisa dessas.

 

Dia 2:

 

Depois de encarar a trilha que leva à Janela do Abismo, caso não seja atleta, estará no segundo dia bastante cansado. É hora de enfrentar um dia mais tranquilo, mas que não abdique da beleza e dos prazeres da região. Nosso conselho é que vá à Fazenda Loquinhas. Ela fica bem próxima ao município de Alto Paraiso de Goiás.  Uma manhá será suficiente, caso chegue cedo, é claro. Nossa sugestão, inclusive para almoço, é que visite na parte da tarde a Cachoeira Poço Encantado. Ela está localizada na Fazenda Rio de Pedra, há um pouco mais de 50 km da cidade de Alto Paraíso de Goiás. Siga pela GO-118, sentido Cavalcante. Há um restaurante com bela vista para a cachoeira. Vale um almoço ali e uma tarde na piscina natural formada pela cachoeira.

 

Fazenda Loquinhas

 

 

 

Dia 3:

 

Até o momento você apenas frequentou áreas privadas, portanto, pagas (entre 10 à 20 reais por pessoa). É chegada a hora de adentrar o Parque Nacional dos Veadeiros. Mais uma vez se dirija para São Jorge, lá está a entrada principal. Há trilhas para diversos fôlegos, recomendamos, à essa altura, uma mais moderada, mas belíssima: a dos Canyons. Ida e volta não será mais do que 10 km de caminhada. Boa parte do caminho não registra irregularidade topográfica, o que permite uma caminhada mais tranquila e menos cansativa. Toda a trilha é indicada por setas vermelhas, não há como se perder. 

 

O Parque Nacional dos Veadeiros

 

Para a noite, podes combinar São Jorge e Alto Paraiso de Goiás. A primeira reune pessoal mais "alternativo", há muitos bares e restaurantes, mas não nos pareceram melhores do que aqueles instalados no Alto Paraíso.

 

Outras questões para sua viagem:

 

Como ir? Não há muita controvérsia: a melhor forma de ir e circular pela região é por intermédio do bom e velho carro. Caso não esteja por ali, o negócio é alugar seu carro e ir em frente. Sobre isso alguns comentários: a estrada até a região da Chapada é boa, mas há caminhos na região em que asfalto é uma novidade. Se o carro estiver cheio, como foi o nosso caso, terá que guiar com cuidado e com alguma lentidão. Nós, por exemplo, arrebentamos um dos pneus do carro! Nada que um bom borracheiro não resolvesse, mas isso nos tomou tempo e algum dinheiro. Sendo assim, se tiver em mente andar por caminhos mais duros e o carro estiver pesado, é o caso de pensar em alugar um carro com perfil mais "fora de estrada". O fato é o seguinte: sem carro nessa região você ficará muitíssimo limitado. Aliás, falando em aluguel, fica o registro dos problemas que enfrentamos com o aluguel do nosso carro popular: laura-no-mundo.webnode.com/news/viagem-com-carro-alugado-em-goias/

 

O carrinho se revelou valente, mas a vida é dura!

 

Quando ir? Parece que a melhor época para conhecer a região é durante o verão, quando as chuvas dão o seu ar da graça. No inverno nos deparamos com paisagens áridas e, em alguns casos, cachoeiras que não eram cachoeiras, mas apenas pedras secas. No entanto, não pudemos de pensar o seguinte: se no inverno já enfrentamos, durante nossas caminhadas, um calor bastante desagradável, ficamos imaginando o que deve ser caminhar durante o verão em um lugar que parece um deserto?

 

O que mais? Bem, a principal questão para que visita a região é um certo desapego com essa coisa de conforto. Tudo é, como regra, meio inóspito. Essa queixa frequente em nossa matéria não deve ser encarada como alguma coisa na linha de um arrependimento. Jamais! A visita à região da Chapada foi realmente 10! As paisagens são incríveis e inesquecíveis! Há, contudo, como dito acima, que se tomar o cuidado com algumas coisas, sobretudo com sua saúde e segurança. O legal de tudo é que há programação para todo tipo de gente: pode-se passear com crianças na boa em atrações como a Fazendo Loquinha, por exemplo. Já os mais animados podem encarar trilhas indigestas, como a da Janela.