Hungria - Budapeste

Hungria - Budapeste

Roteiro: três dias em Budapeste

 

Budapeste, capital da Hungria, é uma cidade cuja beleza impressiona até os viajantes mais experientes. Seu bem-estar não se reduz à beleza, mas ao clima positivo que sentimos na cidade. Pareceu-nos uma cidade pulsante e vigorosa. Essa cidade tem uma rede de metrô eficiente, mas relativamente pequena. Os bondes e ônibus funcionam bem como recursos complementares. Caso tenha disposição para caminhadas, contudo, saiba que poderá visitar boa parte da cidade andando. Tantas são suas belezas que, caminhar, torna-se uma atitude mais do que prudente, mas obrigatoria e necessária. O roteiro abaixo foi pensado para viajante de primeira viagem na cidade.

 

Primeiro dia

 

    Comece o dia no miolo da cidade e vá direto para a belíssima Basílica de Santo Estevão. A despeito de termos boa experiências com viagens, não tivemos chance de ver uma catedral como essa. Chegamos cedo e tivemos chance de assistir parte da missa (emocionante o coral). Dai siga em direção à Ponte das Correntes (Széchenyi Lánchíd), a mais famosa de Budapeste. Siga o caminho de tal forma que não deixe de passar pelo Parlamento Húngaro. Logo ali estará a ponte, do outro lado estarás nas proximidades do Castelo de Buda, da Igreja de São Matias e do Bastião dos Pescadores Só isso em um dia inteiro? Não subestime esse local, além de belíssimo, está repleto de atrações.

 

Que paisagem, hein? Ao fundo, à esquerda, o Parlamento Hungaro

 

A colina onde se encontra hoje o Castelo de Buda começou a ser ocupada por volta do século 13. O Palácio, no entanto, só começaria a ser construido no século seguinte, não demoraria para que se tornasse a principal residência do imperador húngaro.Hoje a região é constituida, na verdade, por um conglomerado de importantes construções, das quais fazem parte, como principais atrações, o Castelo, a Igreja de São Matias e o Bastião dos Pescadores.Dizer que a região é bela não é dizer muito. Estivemos por lá em dezembro de 2014 e, garantimos, poucos lugares são mais belos. O céu incrivelmente azul e frio contrastava com aquelas belíssimas construções de tom pastel e cinza. A vista da cidade é um fenômeno à parte. Imediatamente à nossa frente nos deparamos com a grandeza do Danúbio, suas águas azuis e gélidas fluem rumo à Austria. Do outro lado vemos Peste, com suas belíssimas construções, inclusive o Parlamento Húngaro.Não esperem uma visita rápida e burocrática. Pelo menos uma manhã ou tarde inteira será necessária para que você curta, com o devido cuidado, todas as atrações da região do castelo. Talvez seja pouco tempo, a julgar pela necessidade que tivemos em fazer uma segunda visita.A tentação imediata é subir a inclinada colina pelo teleférico (foto abaixo). Se quiserem, vão em frente. Mas jamais desconsiderem a possibilidade de descer à pé. A descida pelo lado direito (de quem está no castelo de frente para o Danúbio) nos pareceu a mais interessante. Você descerá por uma pequena e sinuosa estrada de pedra que dá conta de paisagens incríveis, não só do próprio castelo, mas também da cidade de Budapeste.

Caso subir pelo teleférico não faça parte dos seus planos, saiba que nessa mesma região há uma escada rolante que permite acesso até a base do castelo. O resto é um caminho, repleto de beleza, que se faz de forma relativamente tranquila. Outra vantagem que precisa ser considerada é que por esse caminho o visitante não pagará nada, já o serviço do teleférico precisa ser remunerado.

 

Não quer andar? Os bondes são excelente opção!

 

O Castelo de Buda, sem dúvida o ponto alto da sua visita à Budapeste

 

A incrível Igreja de São Matias

 

Igreja de São Matias e o Bastião dos Pescadores são, como dissemos, duas atrações que se encontram na mesma região do Castelo. O Bastião data da virada da passagem do século 19 para o 20, e remete às tribos que originaram o povo húngaro. Por que pescadores? Nesse caso, a referência é aos pescadores que, na altura da Idade Média, ocupavam e defendiam a região.No pátio que permite acesso ao Bastião dos Pescadores está instalada a Igreja de São Matias. Ela é uma construção do século 13. Sua beleza não é comparável à outras igrejas do continente. Seu telhado multicolorido logo nos chama a atenção. Os últimos reis húngaros, da dinastia dos Habsburgos, foram ali coroados. A igreja, portanto, tem um grande significado histórico para o povo húngaro.

 

Segundo dia:

 

Vá ao Mercado Central e seus arredores. De preferência almoce por lá mesmo. Na parte da tarde visite a Casa do Terror. Situada na Avenida Andrassy, 60, uma das mais importantes da cidade de Budapeste, a Casa do Terror se dedica aos temas da dominação nazista e comunista na Hungria. O prédio tem sua própria  história, ali figurou a burocracia comunista que, por muitos anos, vigiava, prendia e matava cidadãos húngaros considerados suspeitos pelos diferentes regimes. Sob esse aspecto, é mesmo uma visita impactante. Temos acesso às masmorras e ao subsolo, onde dedicados burocratas enforcavam os condenados à pena capital. O museu chama mesmo a atenção pelo investimento em estética: a sonorização, as luzes, o colorido e tudo mais procura criar um clima sombrio. Está longe, portanto, de ser um museu, digamos, convencional. Temos a impressão de que o investimento em estética não se fez acompanhar pela pedagogia. Nem tudo é completamente inteligível ali. Tocamos mais à emoção e menos a inteligibilidade, portanto.Um olhar um pouco mais atento pode sugerir, talvez, certa distorção no tratamento dado pelo Museu às questões de fundo histórico (peça fundamental para os diferentes temas ali discutidos e apresentados). Por exemplo, vemos um investimento muito mais dedicado de crítica ao comunismo e muito menos à experiência do nazismo. Essa aparente distorção é inteligível, pois o regime comunista foi muito mais longo, gerou consequências, talvez, também mais duradouras. Além disso, foi recentemente desmantelado, ao passo que a experiência nazista, além de mais curta, está historicamente mais distante.O tom não é de balanço. Pelo contrário, é de certo rancor contra os comunistas. Os eventuais avanços legados por eles não são considerados. Temos a impressão de que o tempo ainda permitirá uma perspectiva menos comprometida com a crítica e mais balanceada daquele processo histórico.Seja como for, vale muito a pena uma visita ao museu. É uma pena que, em seu interior, fotografias e filmagens fossem proibidas.

 

As cores e os sabores do Mercado Central

A Casa do Terror

 

 

Recomendamos que antes de viajar compre ingresso para espetáculo noturno no Opera Estatal Húngara. Com antecedência os preços são muitíssimo atraentes. O local é luxuoso e belíssimo. É conveniente estar vestido à altura.

 

Terceiro dia:

 

Visite a Praça dos Herois. Ela está situada no final da Avenida Andrassy, a mesma em que está situada a Opera Estatal. A Avenida segue o modelito dos boulevards francesas. Vale à pena a caminhada. Como não é desprezível, retornamos de metrô. O monumento instalado na praça é bastante interessante, mas mais bacana é o Parque Municipal da cidade aos fundos.O Parque, mais ou menos como o conhecemos, data do início do século 19. Hoje somos surpreendidos por uma conjunção de prédios com diferentes padrões arquitetônicos que representam diferentes momentos da história da Hungria. Segundo nos disseram, haveria ali também uma réplica do Castelo de Drácula.

 

O Parque Municipal foi uma boa surpresa!

 

Caso ultrpassem o Parque Municipal, tivemos notícias que encontraríamos uma espécie de Red Zone, com bebida barata e todo tipo de gente exótica.

 Outras alternativas, digamos, mais familiares, é visita à uma das várias casas de banho da cidade. Pode parecer estranho, mas é algo típico e bastante difundido na cidade. Sugestão de uma que nos pareceu interessante: a Szecseni Furdö.

 

Para onde se olha nessa cidade se vê beleza

 

Mais sobre a sua viagem:

 

Onde ficar? Uma coisa boa é que o pais está no leste-europeu e fora do zona do euro. Por que isso é bom? Os preços são muito, mas muito camaradas. Nós alugamos um apartamento de cerca de 150 m2 em uma região nobre da cidade e o preço, podem acreditar, foi bastante módico. Para eesse apartamento, todo muito bem equipado, levamos as compras que fizemos em um supermercado das redondezas. Vinho, queijos e tudo mais de excelente qualidade, o preço, é claro ótimo! Isto porque, como dissemos, embora o pais faça parte da Comunidade Européia, manteve sua moeda nacional, o Forinte (HUF). Quem tem euro no bolso saiba que a conversão será vantajosa. Significa dizer que, em Budapeste, vale muito investir em uma estadia com conforto acima da média.

 

Pelo menos esse foi o raciocínio que adotamos quando estivemos em Budapeste no final de dezembro de 2014. Cerca de três meses de antecedência fizemos uma rigorosa investigação na internet em busca de um hotel que fosse confortável e, é lógico, tivesse bom preço. Não são poucos com essa característica em Budapeste. Para que o leitor tenha uma ideia, o mesmo preço que você fecharia um albergue em Londres, você contrata serviços de um hotel de, pelo menos, 4 estrelas em Budapeste.

 

Depois de investigarmos bastante chegamos a conclusão de que o que melhor atenderia às nossas necessidades era o Seven Seasons. Não se trata de um hotel, mas de um prédio inteiro com apartamentos para alugar nas proximidades do Rio Danúbio, em uma das zonas mais nobres da cidade. O apartamento é bastante amplo, cerca de 150 m2. Dois quartos, dois banheiros, sendo uma suite. Duas banheiras de massagem, uma cozinha muitíssimo bem aparelhada, uma sala ampla e confortável e com varandas.Há, ainda, uma portaria 24 horas, internet e TV à cabo. Em termos estéticos, o apartamento além de funcional, é muito bem decorado e elegante. Sentimo-nos em casa. O negócio foi feito com a intermediação do Booking. Acesse imagens e uma matéria detalhada sobre esta estadia aqui.

 

Quando ir? A coisa mais importante que podemos dizer aqui é o seguinte: se não gosta de frio não vá no inverno. E olha que estivemos por lá durante um inverno bastante moderado, mas o vento gélido e forte não é fácil. Nada que não pudesse deixar de suportar, mas que é frio é. A cidade, certamente, deve ser igualmente linda nas estações mais quentes. Fora da alta estação, certamente, com preços ainda mais em conta!

 

E o que mais? Bem, algumas coisas precisam ser ditas. A primeira delas é que, caso você chegue em Budapeste de trem (estação Keleti), não desanime. O lugar é mesmo horroroso e não inspira confiança, mas à medida que se aproxima do Danúbio a coisa melhorará sensivelmente Outra coisa, na linha da primeira, é preciso tomar cuidado com os furtos. Há muito mendicância e ladrões espalhados por todo o canto, inclusive os menos esperados. Explicamos: assim que chegamos na portaria do Seven Seasons, deixamos uma de nossas bagagens no chão e aguardamos o atendimento. Quando fomos procurá-la, cadê? Surpresa foi encontrá-la escondida aos pés de um "turista" que estava no mesmo local. Os relatos de furtos e roubos de carteira não são poucos, portanto, é preciso ficar com os olhos abertos e os documentos e dinheiro bem guardados.

 

Que fique claro que Budapeste é um destino absolutamente fantástico! Adoramos conhecer aquela cidade! A cidade é longe? Pode parecer inalcansável, certo? As referências à tantos gastos pode dar uma falsa ideia, a de que a viagem é inacessível. Em primeiro lugar convém registrar que Budapeste é bastante acessível. Lembre-se que está fora da zona do euro. Em segundo lugar, não resta dúvida de que um bom planejamento de viagem costuma tornar a viagem não só mais segura, mas também mais em conta. Aqui nossas dicas sobre planejamento de viagem.

 

Por fim, chamamos a atenção para um ponto importante em qualquer viagem: a saúde. Como é de conhecimento de todos, a posse de seguro saúde é quesito para ingresso na Comunidade Européia, mesmo como turista. Adicionalmente, é muito pertinente que o viajante tenha conhecimento básico acerca das características do sistema de saúde do pais para o qual se dirige. Maiores informações aqui!