Polônia - Auschwitz

Polônia - Auschwitz

Matéria: Auschwitz, Polônia

 

Pode parecer muito estranho, e de fato é, fazer turismo em lugar que se produziu tanta dor e morte. É preciso que tenhamos, em nossa opinião, boa dose de cuidado com a palavra que usamos. "Turismo", como expressão de férias, alegria, descanso etc, não é bem o caso quando falamos de Auschwitz. E não se engane, o lugar imediatamente se impõe com sua dor. A feiçao das pessoas, a tristeza no ar, o choro, enfim, todo o clima deve de antemão de fazer pensar sobre a conveniência dessa visita. Ela não pode ser feita como se vai a qualquer outro destino. Resumindo, é precisa saber se o visitante aguenta o tranco.

 

Bem, estivemos em Cracóvia, Polônia, em julho de 1996. Tempo, hein! De lá fomos de taxi para o campo de concentração de Auschwitz. Cerca de uma hora e meia depois de partir de Cracóvia, chegavamos, então, naquele lugar que entrou para a história pelo horror que foi capaz de produzir sistematicamente. Muito pode se dizer sobre o sentido de um museu em um lugar desses. Seria melhor esquecer? Ou devemos nos manter alertas sobre a possibilidade da experiência se repetir? Acreditamos que essa última pergunta faz mais sentido, por isso estava lá. 

 

Abaixo parede de fuzilamento dos presos de Auschwitz

 

 

 

Auschwitz é o maior simbolo dos horrores do racismo e do holocausto. Começou a ser ocupado por judeus, ciganos, comunistas e opositores ao regime de Hitler na primeira metade de 1940. Somente no início de 1945, com a chegada das tropas soviéticas e o fim da Segunda Guerra Mundial, que o campo seria definitivamente desativado.

 

 

 

Calcula-se que cerca de 3 milhões de pessoas foram assassinadas no interior de Auschwitz. Cerca de 2,5 milhões em suas câmeras de gás (foto abaixo).

 

 

Em 2002 a Unesco declarou oficialmente Auschwitz como Patrimônio da Humanidade. Ainda assim, com um olhar insistentemente frio sobre a visita que realizamos, convém dizer que é uma experiência de qualidade duvidosa. O ambiente é marcado pelo sofrimento, muitas pessoas choram e rezam. Tudo está preservado e como tal preserva o ar bastante sombrio. A escuridão se abate definitamente sobre nós quando vimos o muro onde as pessoas foram fiziladas e, na sequência, a camera de gás. Tudo é dor naquele lugar.

 

 

 


O fato é que, cada vez mais, esse tipo de visita vem sendo tratada como uma obrigação moral ou mesmo como parte de um processo pedagógico, inclusive estimulado por instituições escolares, para que os mais jovens tomem conhecimento do que os serem humanos são capazes de fazer justamente com outros seres humanos. Não seguimos uma linha muitíssimo diferente dessa, pois em nossas viagens nos divertimos muito, mas também somos capazes de mostrar dores, injustiças e problemas espalhados por esse mundão, questões que a pequena Laura precisa ter conhecimento. Viagem, nesse sentido, é também um processo de fato pedagógico.

 

 

Quer saber mais?

 

Esse assunto vez e outra é objeto de nossos roteiros e preocupações em nossas viagens, à exemplo de nossa incrível visita ao campo de concentração de Sachsenhausen, no norte de Berlim. Realizada há um pouco mais de um ano atrás, a visita à Sachsenhausen muito nos impressionou. Ao contrário de Auschwitz, que nos pareceu mais anárquico como museu, o campo alemão permitiu uma visita bem contextualizada e inteligente (apesar do frio que nos castigou!)

 

Outra visita que nos bem impressionou, mais ou menos na mesma linha, é o Museu Internacional da Escravidão, em Liverpool, UK. Um local sobre o qual não tinhamos informações e bem nos surpreendeu.