Viagem pela Índia: dicas, sugestões, experiências e, é claro, perrengues!

18/02/2018 09:03

Bárbara, querida amiga que faz jus ao nome, é também uma viajante crônica. Ano passado nos brindou com o incrível relato de sua viagem à Machu Pichu. Agora ela foi um pouquinho mais longe! Se embrenhou nos confins da Ásia, mais especificamente na Índia. Bárbara não se limitou aos cartões portais, esteve nos cantos mais remotos do pais e trouxe na bagagem um relato rico e encantador de sua experiência naquele incrível pais. Vamos curtir? Com a palavra a Bárbara!

 

Se você está esperando um relato mágico, com elefantes, encantadores de cobras, gente sentada em cama de prego, real sentido da vida sugiro que você procure aquele filme chato da Julia Roberts (Comer, rezar e amar). Netuno em Capricórnio só tira os pés do chão quando está de sapatilha de ponta. Agora se você procura um relato de alguém que gosta de ser estrangeira, de conhecer sabores, cheiros e pessoas diferentes, venha comigo! Temos muito que trocar.

A Índia não é um lugar turístico (Por mais que os indianos se esforcem). Ninguém acorda numa bela manhã e diz: “Vou à Índia ver umas vacas na rua e uns macacos. Estou doida para fazer uns mantras em um Ashram sem calefação”.  Se fizer, leva para conversar com um psicólogo.  Tem um “paranaue”, “um lance” é tipo o Paulo Ricardo fazendo o “Olhar 43” é ridículo, mas você se sente totalmente seduzido. E assim foi comigo, minha professora de balé anunciou que sairia de férias. Ia a Índia, eu pensei “Opa, vou nesse lugar aí qualquer dia” Demorou 2 anos para que fosse a minha vez de ir. Não faço planejamentos! Então aquelas perguntas “Quanto você economizou diariamente?” “O que você deixou de fazer para ir para Índia?” Você pode encontrar as respostas no próprio blog. Eles ensinam a economizar milhas, a organizar viagem... Eu?! Eu leio. RS

 

Mahasanga 2018 Índia <3 O Guruji é do casaco azul

 

A Índia proporciona várias viagens em uma só. Principalmente se for com grupo (é aconselhável ou com um conhecido guia) como eu fui.  Tem a sua viagem, a viagem de quem quer saber da sua viagem e a viagem em grupo. O relato é da minha viagem. Coragem aspirante! Você vai precisar. Continua animado para embarcar nessa? Isso aí! Dicas de ordem material para viagem:

 

1-      O visto- Importantíssimo! Você não entra sem visto nem se estiver desencarnado. (Indiano adora burocracia) Você pode fazer o presencial (Embaixada fica em São Paulo) ou o on-line.  Fácil de fazer:  https://indianvisaonline.gov.in O visto para turista tem válidade de quatro meses antes da entrada. Entrando você tem 2 meses para usufruir. O ideal é fazer com 1 mês de antecendencia para viajar. Você preenche o questionário, paga e aguarda. Sua liberação chega tanto no seu e-mail, quanto fica disponivél na página do e-visa. Leve o visto impresso. Passaporte com 6 meses de validade.

2-      Certificado de Vacinação contra Febre Amarela Internacional

3-      Cópias de passaporte, o visto, vacina... Cópia até da sua alma. Ela vai mudar quando você voltar.

4-      Passagens impressas- Você não entra nos aeroportos indianos sem a passagem impressa.  É lei. (RS) O exército vai te recepcionar para fazer valer a lei.

5-      Grana- Leve dólar e troque lá. Saia do aeroporto com essa grana trocada. A moeda é rupia e é bem desvalorizada. Eles não aceitam notas rasgadas ou escritas. Quanto? 400 dólares cobrem os 20 dias. (Lembrando que sai daqui com tudo certo. Hospedagem, passeios e alimentação) Essa grana cobre o transporte, comidinhas e comprinhas. Se você é a “doida da compra”, leve mais. Cartão de crédito vale, o travel dificilmente é aceito.

6-      Papel Higiênico- 4 rolos (É isso mesmo! Leva para garantir. Dependendo da região que você for não tem para comprar ou não está incluido na hospedagem)

7-      Hidroesteril- Água é um lance sério. É melhor beber água com gosto de piscina que a água estranha. Você vai encontrar água para comprar. Fique atento ao rotulo e o lugar que você está comprando.  

8-      Pimenta e temperos – Culinária dos infernos na Índia. Se você tem problemas com pimenta leve uns biscoitinhos. Tem lugares maravilhosos e outros desesperadores. Você pode falar 234566 de vezes: “No spice” que a Spice vai vir. Tem dias que a Melanie B, Melaine C spices mais simpáticas. E tem o dia da Ginger... Bicho. (Se não entendeu a piada: Spice Girls foi um grupo de inglesas maravilhosas de muito sucesso nos anos 90.) Se tem azia, leva estomazil, esses lances, o coro vai comer.

9-      Leite- Se você tem intolerancia a lactose fique atento. A base da culinária é o leite.

10-   Frutas- Com casca. Não faz a ousada “A Deusa vai me proteger” A Deusa é indiana, ela dá conta. Você não. Tangerina, laranja e banana.

11-   Ácool em gel, lenço umedecido, shampoo,sabonete,hidratante,creme de cabelo, cotonete, algodão... Leve. A relação com higiene é outra. Ou faça a desapegada. Boa sorte

12-   Cadeado na mala- Pelo amor de Dadá!

13-   Tomada- Você pode comprar um adaptador no Brasil, no aeroporto ou não comprar. Forçando a barra dá para “adaptar a tomada”

14-   Remédios – Floratil (organismo sensível é banheiro na certa), dorflex (as camas são deliciosas HAHAHAHAH), remédios de gripe e todos os seus remédios pessoais. Não tem farmácias com facilidade. O ayuverda (medicina indiana) é lindo mas respeite seu organismo.

15-   Roupas – Indo no frio, roupas de frio reais. Faz um frio dolorido. Luvas, gorros, roupa térmica e uma colcha. O frio é do cão e não tem calefação. Não importa se sua roupa é feia ou bonita. Indianos não estão nem aí para o que você veste. Meias, leve uma quantidade maior. A entrada nos templos é descalça e você não vai entrar descalço. Vai entrar com sua meia e depois jogar fora. Combinado?! Tênis, aquele velho. Eles roubam tênis novos. É isso mesmo!!! Leve aquele meia boca. E se possivél não traga de volta. Calor? Ótimo. Um calor do cão. Leve roupas não muito curtas e não pode aparecer a axila. Nem em sonho. Sem axilas.

16-   Idioma – Os indianos tentam falar inglês. É isso. (Rs) Se você não fala, sem problemas eles são pacientes e muito gentis. Todo mundo se comunica.

 

Roteiro da viagem

O roteiro escolhido foi de Norte a Sul da Índia. Haridwar, região dos Himalaias,Rishikesh, a cidade sagrada do Yoga, Nova Deli, Agra,a cidade do taj Mahal, Govardana, Pondcherry e Mahabalipuran. Em termos filosoficos começamos por Shiva,criador do yoga, deus dos dançarinos em sua aparição Nataraj, passamos por Krishna, o todo atrativo e terminamos com os Mestres Sri Aurobindo e Mirra Alfassa, mentor e realizadora do yoga integral na Índia. Yoga Integral é uma filosofia  onde tudo aquilo que te leva para alma é yoga. “Toda vida é yoga”, diz Sri Aurobindo. Nosso guia, mestre e amigo, foi Horivaldo Gomes - representante da Yoga Integral no Brasil-  chamamos de Mestre, por carinho e respeito aquele que começou essa caminhada bem antes de todos no grupo. Aqui fica toda minha gratidão por sua enorme paciência, carinho e amizade. Uma pessoa que leva 34 pessoas nessa viagem, encontra mais 9 e leva todo mundo no maior amor merece o céu! Gratidão, Guruji (Guru- aquele que trás luz na escuridão. Ji diminutivo carinhoso. Uma forma de demonstrar seu amor pela pessoa)

 

Por do Sol no Manga

 

Trazendo Verdades

Saí do Brasil, empolgada e ansiosa, direto para Londres no dia 06/01/2018. Você tem duas opções para chegar na Índia, Etiopia ou Londres.  O grupo entrou por Londres, onde fiz uma conexão para Deli. Cheguei pertubada e cansada em Londres as 13h30, no dia 07/01/2018 e fizemos novo vôo para Deli as 19h30. Em solo indiano pise as 9h30 do dia 08/01/2018, curiosa, confusa e cansada. O melhor estava por vir, de Deli até Haridwar, levei simpaticas e exaustivas nove horas. Curiosa, confusa, com fome e cansada cheguei em Haridwar onde fui recebida pelo frio,uma sopa e um quarto de mármore sem calefação. A aventura estava só começando.

Acomodada no quarto começou a dificil missão de dormir. Muito frio, frio de verdade, frio de doer. O corpo se entregou ao cansaço e ingnorei a programação de 5h da manhã: meditação. As 8h entre cansaço, frio e preguiça tomei o café. Foi quando puder ver a beleza do lugar que estava. Aí, é aquilo feito a canção : “Coração bobo, coração bola...” A menina de Del Castilho nunca tinha imaginado que chegaria tão longe. A nossa rotina nesse Ashram era: 5h Meditação, 7h Prática de yoga, 8h Café, 11h Conversa com Swami, 13h almoço (iguarias sem pimenta), 17h yoga, 19h jantar, 20h Conversa com Swami e as 22h Fogueira. Fogueira, nos deliciosos 3 graus ou -1 graus noturnos.

Olha, vou te contar, parte de mim perguntava “O que estamos fazendo aqui?” e a outra respondia: “Muito frio para responder”. Na meditação, quando fui, o Swami responsavél espiritual estava dormindo de roncar. Entre gargalhadas e desapontamento não acordei mais para meditar uma hora dessa. Nas conversas com o Swami, as 20h podiamos fazer perguntas, que ele respondia:

1-      Para que o mármore?

Swami: Aqui é muito quente no calor. O mármore refresca.

2-      Para que copos de metal? Não da para segurar, metal é um condutor de calor!

São mais fáceis de esterelizar. Sim, esquenta mais mantém limpo.

3-      Qual a relação de Deus com a arte?

Deus é o maior artista de todos os tempos.

Desse lugar o que mais sinto saudades é de caminhar sozinha com meu cobertor laranja, olhando a cadeia de montanhas do Himalaya, entre risos e choros aproveitar o lugar. Uma tarde me deitei no gramado, olhei o céu e apreciei o por do sol. Foi a primeira das várias vezes que agradeci o prazer de estar viva.  Uma deliciosa sensação de pensar “Olha isso, o por do sol” Dias congelados (literalmente) na memória.

 

Homem entregue no Arati, cerimônia através da qual se oferece a luz (de uma lamparina ritual) a uma divindade ou pessoa santa.

 

Rishikesh: um presente e um amor

Sabe aquilo tudo que a Glória Maria falou para você no Globo Reporter sobre a Índia? Esquece. Rishikesh, a capital mundial da yoga, vai acabar com você e tudo isso. O rio Ganges é lindo, enorme e limpo. O impacto quando dei de cara com o Ganga (assim que os indianos chamam o Ganges) foi devastador. Lágrimas desciam sem nenhuma vergonha desse rosto que tinha tanta vergonha de chorar. O Ganga é de longe, a imagem mais bonita, apazigadora e amorosa que a Índia me deu. Essa cidade viu Dravidianos, Arianos, Mulçumanos, Ingleses, Indianos (a Índia como conhecemos agora é uma invenção dos ingleses) e brasileiros ... Em sua enorme desordem, passa vaca, macaco, Swami (homens santos), Sadus (homens dedicados a espiritualidade), turistas, gente pobre, gente miserável, gente rica, tuctuc, bicicleta,ônibus, motos, pessoas com sonhos, sem sonhos, renovando seus sonhos e outros tantos de gente. É a cidade que mais tocou meu coração. Respira um ar de mistério. Imagens de Deuses, farmácias ayuvedicas, comida boa, gente de sorriso fácil, conversas sobre tudo e mais um pouco. Em suas ruas estreitas, sujas, confusas, cheia de lojinhas, pude me sentar, observar e meditar. Você acha que meditar é sentar e ficar ali com cara de monge? Meditar está em olhar sem julgar, sem se identificar. O mistério (ou Deus) está em todas as coisas, pessoas, cores , cheiros... Ele está! Na beira do Ganga como uma alma, sem precisar segurar a onda, resolver, ter títulos, dinheiro, trabalho sentei e entendi que não sou nada e nada sou eu. Gratidão, Ganga!

É uma cidade muito simples de andar (Parece piada né?). No primeiro momento parece enlouquecedora depois é puro coração. Aqui vai uma dica, largue suas planilhas de passeios, orientações de ruas... permita seguir o fluxo! Nós, ocidentais, temos uma mania chata de comparar. Comparamos o que conhecemos com aquilo que estamos vendo pela primeira vez. Sempre precisamos da tal referencia. Na Índia, ou você abre seu coração ou vai fazer da sua viagem um inferno. Me entreguei rápido. Coração escancarado e espírito de aventura, virei em ruelas, me perdi, dancei na beira do ganga, ouvi homens santos, visitei Ashrans astrologicamente calculados,entrei em templos dourados, pedi perdão pelos erros, sorrir para os acertos, agradeci meus pais pela vida que me deram, dancei por tudo e dancei também quando a vaquinha comeu minhas batatinhas. Dei mole e vaca comeu meu lanche. Vaca sagrada e esperta.

Uma dica para os viajantes que gostam de comprar é Rishikesh. Tudo é bem mais barato lá.( É preciso ficar atento caso faça vôo interno, o limite de 25 kgs, não é negociavél. O preço do extra é fortuna.) Incenso, pachimina, oléos e de resto não perca seu tempo fazendo compras. Passeie e observe como vivem as pessoas. Pedintes? Muitos. Cuidado! Se você der dinheiro para um, aparecem 3456754 de outros pedindo. A Índia é pobre? É. Dependendo da região é muito pobre. Volto a dizer, não venha com suas estruras sociais, livros do Marx, apenas observe a sociedade. Vai ter uma explicação para tudo e não estará em nenhum paragrafo do Marx. Quem é escreve, é uma estudante eterna de economia.

Uma dica de passeio é assistir no final do dia (17h), os meninos cantando na beira do Ganges, no Arati ritual do fogo.Cante, dance, ofereça flores, olhe fixo para o fogo e permita a deliciosa sensação de experimentar o novo.

Se eu voltaria para Rishikshe? Sim. Se eu moraria em Rishksh? Não. No final te explico.

Himalaya

Kunjapuri Temple – Templo de Mãe Durga

Se você dirige, não foque no trânsito. Vai ser dificil. É uma loucura, das loucuras! Se eu estou viva aqui nesse momento, escrevendo essas palavras é  por conta da benção de Mãe Durga.

Durga é uma das faces da mãe divina. Contam os puranas (histórias) que a forma de Durga foi criada como uma deusa guerreira para combater um demônio. Uma vez que só uma mulher poderia matá-lo, a Santíssima Trindade Masculina desceu até o rio Ganges e rezou o mantra "Om Namo Devaye", implorando à grande deusa Devi para salvar seu domínio da ruína. Eles foram abençoados com a sua compaixão quando a deusa Durga nasceu do rio. Obvio que eu, precisava visitar o templo. Coloquei minha cabeça diante dessa Deusa e pedi sua sabedoria para aqueles momentos da vida onde ser uma “Super Mulher” não é necessidade, é realidade. Jaya, Mãe Durga.

O templo em si não me comoveu. Sempre questiono o fato de alguém romper com tudo e dedicar sua vida somente a espiritualidade. Será esse mesmo o caminho? Será? No caminho pude observar. Trabalhadores que iam e vinham. Cores e macacos. Muitos macacos. Não gosto de macacos, imagine a superação que foi conviver com eles?! Eles roubam. Atenção! Roubam mochilas, máquinas, óculos, celulares para mim era inferno ter que ficar o tempo todo alerta. As vacas não, elas são simpáticas e fofas mesmo levando meu lanchinho. Me apaixonei pelas vaquinhas. Mas não deixei de comer bife. Sorry.

 

Templo de Durga Himalaya

 

Do templo a vista para o Himalaya é fantástica. Contemple a montanha, permita-se admirar e surpreender com a cadeia de montanhas mais bonita do mundo! Jaya, Himalaya!

Entre Haridwar, Himalaya e Rishikesh fiquei do dia 8/01 ao 13/01. De lá parti para Delhi.

Delhi

Cidade horrorosa (#trazendoverdades). Poluída, suja, enrolada e trevosa. Pelo amor de Dadá, se no seu roteiro você incluir essa cidade, fique o menos tempo possível. Foi o que fiz, fiquei 4 dias nela. Sendo apenas um dia inteiro em Deli nos outros fui para outros lugares. A comida é ruim (pimenta na venta), a cidade é uma confusão, os atendentes perdidos e tudo é caro. E não ter meu direito de ir e vir em paz foi complicado. Gosto de andar sozinha. Respeitei a cultura mas isso me cansou muito. Chegui tarde em Delhi, então cheguei para dormir e acordar cedo.

No dia seguinte fui para Qtub Minar. Local interessante, era um templo da religião sulfi. Lá tem as ruínas, muito bem preservadas. Estava calmamente fotografando, quando um guarda se achou no direito de pegar meu celular. Indianos tem dificuldades com limites. Disse que ia tirar umas fotos minhas em alguns lugares diferentes. Eles fazem isso e depois cobram. Eu não queria! Não paguei, tirei meu celular da mão do guarda na marra e sai de perto. Tudo tenso, tinha me afastado do grupo para ficar um pouco em paz e esse guarda resolveu me pertubar. Tive que dosar a minha capacidade de ser uma mulher livre e de resolver meus assuntos sozinha. O templo estava cheio de mulçumanos. Não ter a minha liberdade, fala e opinião respeitada foi dificílimo. Acabei me desinteressando do templo, sentei na escada, chorando e fui abordada por mulçumanas que pediram para tirar uma foto. Elas queriam tocar meu cabelo e tirar fotos comigo. Foi difícil e ao mesmo tempo mágico. Elas me olhavam transmitindo uma força, como se pudessem dizer: “Olha, nós entendemos o que você está sentindo”e  “Nunca duvide do poder inegavél das mulheres”. O resto do dia fiquei em silêncio, meditando sobre esse episódio. Depois desse templo. Passeamos em um parque que eles chamam de “Disney da Índia”, não pode fotografar, entrar com celular, ou qualquer coisa. Um parque E-N-O-R-M-E! Tudo é muito exagerado na  Índia. Você pode ficar sem ir.

 

Qtub Minar - mulheres e sua força

 

No último dia de Delhi, fui para o Taj Mahal. Você pode ir para o Taj Mahal, de trem saindo de Delhi, é bem tranquilo e rápido. Como estava em grupo, fomos de ônibus, bem no dia da nosso visita o primeiro ministro de Israel foi visitar o local. Por conta disso tivemos que sair mega cedo (2h da matina), para chegar antes das 7h e sair as 9h, as 11h o tal ministro apareceria por lá.  

 

O Taj Mahal

O Taj Mahal era um sonho, desses que a gente coloca poster na parede. Quando fui a Paris, (Olha aí a sommelier de passaporte. Somelier de passaporte é aquela pessoa que fica dizendo os lugares que já foi) meu sonho era ver a Torre Eifel. Lembro que desci na estação e dei de cara com aquela maraviha. Não queria ir embora, ficava olhando e admirando. <3 O que eu achei? O Taj Mahal vai ser igual. Não.

 

Poses de Yoga Cris Hastha, Padma, Pavarti (a salvadora que me tirou do transe meditativo) e eu 

 

O esquema para entrar é surreal. Filas imensas, ingresso caro, revistas infernais, macacos por toda parte. Ao entrar você vai ver um construção arquetetonica daquelas impressionantes, mesquistas, jardins, lagos e tudo isso para uma mulher morta. De que adianta uma estrutura dessa para uma pessoa que já morreu? “Mais é lindo. É o símbolo do amor” Então o amor, é algo para fora? Amor não vem de dentro?! A Torre é mais honesta nesse sentido. Ela foi feita para ser uma exibição, os franceses se exibem e tudo bem. Símbolo do amor?! O amor é. Ele precisa de símbolo? O local está sempre muito cheio. É impossivél tirar uma foto sozinha. Indianos, franceses, ingleses, australianos, brasileiros... todos querem uma foto. Tirei algumas fotos fazendo posturas de yoga, não queria acreditar que estava desiludida com o lugar. Foi quando resolvi caminhar um pouco, me sentar e meditar naquela confusão de informações do lugar. Não sei quanto tempo passou, sei que me perdi do grupo e fui resgatada por uma amiga de olhos arregalados. “Onde você estava Taraji(É meu nome espiritual. Tara= Estrela, face femina de Budha,face do discernimento da Deusa Kali Ji- Ji diminutivo carinhoso. Uma forma de demonstrar seu amor pela pessoa) ?” “Aqui.” E me levantei de uma das maiores experiências espirituais e transcendentais que já tive. Onde felizmente não sei explicar o que aconteceu. Só sei que vivi. Sonhos? Os da padaria apenas. Poster na parede? Arranquei todos. A vida é agora. Se volto ao Taj Mahal? Não, aprendi o que tinha de aprender! Gratidão, Tal Mahal. O Taj Mahal é um mausoléu. Não esqueça disso nunca. O amor é vida! Ame sem medo!

Govardana

Visitei o Iskon (Sede dos Hare Krishnas), lá você pode cantar e dançar com os Hare Krishnas. (Dancei tanto!!!! Hare Krishna!) Ver a estatua do Prabu Pada, tenho medo de estatuas sempre acho que elas podem levantar (É sério, pode rir) , entoar: “Hare Krishna” nas 108 lótus desenhadas no chão. Faça isso, não fique de vergonha. Entregue-se! Comi bem, ri muito, eles são muito animados, pude conversar com várias pessoas que largaram tudo e vivem hoje exclusivamente para Krishna. Interessante, profundo e muito acolhedor. Depois da experiência do Taj Mahal, era o que precisava. A Índia tem disso, ela te dá uma puxada de tapete e na sequencia, te oferece um carinho enorme. Gratidão, Krishna! Hare Krishna!

 

 

Entre Delhi, Agra e Govardana fiquei do dia 13/01 ao 17/01. De lá parti para Chennai. Vôo interno. Aeroporto organizado, tudo muito tranquilo. De Chennai fizemos umas 5 horas para Pondicherry.

 

Govardana

 

Pondicherry  ou A Terra Prometida

Terra prometida é uma piada interna do grupo. Tudo era dito para esperar que em “Pondi” ia ter. E Pondi não deixa a desejar. Tem medo da Índia mas quer muito conhecer? Pondicherry. Um lugar lindo, quente (o sul é quente), desorganizado e feliz. Sim! Você sente um ar diferente naquela cidade. Pondicherry, faz parte da antiga Índia Francesa. Foi lá, o local escolhido por Mirra Alfassa, A Mãe, que era francesa, para desenvolver as ideias do Mestre Sri Aurobindo para yoga integral.

 

Pondicherry

 

Qual era a proposta da viagem nesse local? Além de conhecer a cidade, os locais onde a Mãe e Sri. Aurobindo viveram o Aspirante vivenciaria a yoga integral no seu dia a dia. Cara, ossada! Quem viaja para Índia, está esperando um Ashram, disciplinas e regulações. Tem nada disso em Pondi. Você faz o que quer. O Mestre, propõe algumas atividades mas você faz o que quer. E aí? Será você capaz de administrar sua própria liberdade? Ter regras estabelecidas e se rebelar contra elas é uma coisa. E quando você é o autor dessa regras?

 

Tinhamos dois passeios “obrigatórios” o Mahasamadi (local onde estão enterrados os corpos dos mestres) e Auroville onde fica o Matrimandir. No mahasamadhi fui duas vezes. O suficiente para mim. Não sou fã de tumbas. A energia é fantástica, perguntas de dentro do seu eu saem e você nem sabe o que faz com isso. Quer uma dica? Chore. A água custa apenas 40 rupias, chore e libere-se. A Índia vai fazer você chorar de raiva, saudades, alegria, amor! Coragem, Aspirante. Auroville, é a meca da galera da construção alternativa e o Matrimandri é um templo de meditação. Não tenho palavras para descrever as experiências. Quer uma dica? Pegue suas milhas e vá! ;)

 

Tiruvannamalai – Arunachala a Montanha de Shiva

Esse passeio não estava no roteiro. Mas a pessoa que escreve não sabia ficar quieta e resolveu ir. O objetivo era subir a Montanha de Arunachala, a forma rochosa que os Indianos consideram o corpo de Shiva. Com um grupo de pessoas, aluguei um carro e fui para cidade de Tiruvannamalai. O percuso dura 2 horas no máximo, feche um preço único com o motorista.

Saimos as 5 da manhã e chegamos lá as 7h. Por dentro do Ashram de Sri Ramanah Maharish, começamos a subida. Vá com um calçado decente, leve comidinhas e água. O percurso inclui duas cavernas e o topo. Eu fui. Se eu tivesse ficado no Ashram do Ramanah, já estava bom. Mas não! Precisava subir a Montanha, para que? Para que uma pessoa que tem preguiça de andar até o metro, subiu a montanha? Para provar algo para alguém e quem era esse alguém? Eu mesma. Eu e todo o medo de não ser boa o suficiente. Eu subia a montanha, e pensava: “Bárbara, Bárbara desce. Você não precisa disso!” É por isso, que digo que a Índia não é turistica. Você tem de estar disposto a encontrar você mesmo. Suas fraquezas, suas tristezas e sombras. Não vá a Índia, se não estiver disposto a isso. Não vá. Vá para Cuba (rs), Milão mas não vá para Índia. Na primeira caverna, que já foi uma ousadia, encontramos o guia. Que guia fajuto. Subimos mais e aí começou o perrengue. O sol estava a pino, as pedras escorregavam, o cansaço batia e a água já ia acabando. Um pouco antes da segunda caverna, uma amiga que estava no grupo se sentiu mal e quase sofremos um acidente grave. Minha vontade era de descer, chegar na minha casa, na minha cama e parar com essa coisa de Índia. Respirei fundo, fui ao auxiliando minha amiga, convenci de subir  até a segunda caverna, enquanto as lágrimas escorriam e o calor maltratava. Na segunda caverna, o guia começou a entoar uns mantras e a montar uma cerimônia que já estava me dando na paciência. Por respeito aos outro colegas no grupo fiquei até o fim da cerimônia. Quando acabou desci, não fui ao topo, na verdade já estava no topo da minha paciência comigo. Fui  descendo auxiliando minhas colegas e em especial essa amiga (Cris,amo você!) que veio comigo. Quando chegamos no Ashram, procurei um bom restaurante, comi bem, fiquei no ar-condicionado e repetia para mim: “Chega. Somos boas o suficiente. Somos maravilhosas e não precisamos provar nada.”

 

Vista do Arunachala

 

Sentada na árvore aguardando os demais colegas descerem li uma inscrição que dizia: “Shiva se alegra daqueles que cultivam poesia, música e dança.” Comecei a rir e a chorar. O que a bibliotecária da escola de artes faz? Jaya, Mahadeva.

Pondicherry  ou A Terra Prometida Parte 2

Os demais dias em Pondi me dediquei a fazer coisas que gosto. Coisas que não fiz para provar que era capaz de fazer aquilo que não queria fazer. Passiei na praia, comi bem, fui ao museu, biblioteca, dormi até tarde, tomei sorvete, fiz passos de balé ao sabor do vento, conversei com pessoas aleatórias na praça, flertei (pobres Indianos), dormi até tarde, me perdi, conversei com minhas amigas (especial agradecimento para Dani e Cris), mandei mensagem para meus amigos no Brasil demonstrando toda minha preocupação e afeto com o bem estar deles, liguei para minha mãe, meu pai, irmãos, rezei pela minhas avós e escrevi algumas ações para implementar na biblioteca em 2018.

 

Mahabalipuran

Fiquei em um resort, com camas boas e comida ruim. A praia era linda e a cidade toda tem templos de pedra. Um dia no local é o suficiente. Eu já estava cansada de templos, fiquei na piscina lendo mapa astral. Uma coisa que amo nessa vida. Ler mapa astral.

De Mahabalipuran fomos para Chennai e de Chennai para Londres. Que é onde encerro o meu relato. Os donos do blog e um amigo em especial dominam esse assunto bem melhor que eu.

Foi uma viagem daquelas que me lembrarei para o resto da vida. Volto a dizer, a Índia não é turística. O maior e mais bonito encontro dessa viagem que tive foi comigo. Viajei em grupo e voltei comigo. Nem no passado e nem no futuro. No agora, certa de que sou feliz, grata,aventureira e abençoada pelos astros que regem meu caminho.

 

Que todos os seres sejam livres e felizes.

“Eu vi, virei Estrela”