Vai para os Estados Unidos? Algumas recomendações para a saúde.

25/06/2015 20:07

 

Talvez o viajante não saiba, mas há três grandes formas de se organizar a atenção à saúde no mundo. Comecemos por aquela que é reconhecida pela qualidade da assistência e melhor nível de cobertura: o chamado modelo social-democrata. Sua origem remonta ao sistema nacional de saúde inglês, o National Health Service (NHS). Sua principal característica é a ampla e irrestrita cobertura. Mantido por impostos, todos que dele precisam tem o direito aos serviços de saúde de assistência, de prevenção e de promoção da saúde. Saiba maislaura-no-mundo.webnode.com/news/assist%C3%AAncia-%C3%A0-saude-no-exterior%3a-fique-atento-viajante%21/

 

Em viagem pelo Reino Unido, em 2013/2014, nossa filha sofreu um acidente e fomos testemunhas da eficácia e qualidade dos serviços do NHS (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/acidente-durante-a-viagem-um-depoimento/). Com isso não queremos dizer que o serviço seja absolutamente impecável ou que seja, de todo, desprovido de problemas e contradições. O fato é que, caso alguém, inclusive estrangeiro, precise dos seus serviços em caráter emergencial, terá acesso gratuito às instalações e profissionais do sistema de saúde da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

 

Fratura de tíbia em Londres!

 

Outro modelo de sistema de saúde bastante disseminado no mundo, inclusive na Europa, é o chamado modelo de seguro-saúde. Sua origem é alemã, mas pode-se encontrá-lo em paises como Portugal e França. Como funciona? Sob forte regulação estatal, todo o cidadão é obrigado a ter um seguro-saúde. Este, em parte, é financiado por recursos do trabalhador e do Estado. As características dos serviços prestados - qualidade e cobertura - são definidos por lei, ou seja, por intervenção estatal. Esse é um aspecto importante para se compreender os eventuais problemas que um viajante poderá ter nos Estados Unidos. Vejamos:

 

Estivemos em Washington em outubro de 2012 e outubro de 2016!

 

Acontece que o modelo americano - chamado de liberal - caracteríza-se pela prestação de serviços médicos privados sem ou com baixa regulação estatal. Significa, meus amigos e amigas viajantes, que se você sofrer uma fratura ou precisar de algum serviço médico emergencial naquele pais, prepare-se, pois a fatura médica não será desprezível. Como não há marcos regulatórios para a prestação dos serviços médicos (não se chama liberal à toa), as prestadoras oferecem e cobram de acordo com as famosas "regras de mercado". Na prática signica que os serviços médicos são os mais caros do mundo, inclusive para os padrões de um cidadão de renda média norte-americano. Talvez não saibam, mas a principal razão de falência de famílias nos Estados Unidos é, justamente, a conta hospitalar! Eles, portanto, não contam com alguma coisa sequer parecida com o nosso SUS, que cobre assistência de prodecimentos caríssimos como transplantes, tratamento de câncer e outras doenças cuja prevalência só aumenta com o nosso envelhecimento. 

 

Quando em nossa estadia em Nova Iorque, em outubro de 2016

 

Ir, portanto, para a América, na companhia de crianças pequenas, sem seguro-saúde contratado pode ser uma manobra para lá de arriscada. Não pense que o seguro-saúde proveniente de cartão de crédito possa significar segurança: 25 mil dólares de cobertura, para a realidade dos serviços médicos norte-americanos, não é nada que tranquilize. Qualquer atendimento em serviço de emergência naquele pais não sairá por menos do que mil doláres! Caso precise de um procedimento cirurgico relativamente simples - no sentido de sua usualidade - 25 mil doláres provavelmente não cobrirá suas despesas!

 

Em nossa opinião, portanto, uma cobertura de seguro-saúde de, pelo menos, 50 mil dólares seria o mínimo que se poderia esperar, mas alguma coisa como 80 à 100 mil poderia te fazer relaxar mais nas merecidas férias! 

 

Para não terminar nossa matéria tratando a saúde exclusivamente como uma questão de reabilitação, deixe-nos fazer um comentário de natureza preventiva: a dieta naquele pais é a dos fast foods. Podes andar por todo o canto que verás gente a comer em barracas inúmeras frituras, hot dogs e outras desgraças. Ninguém vai aos Estados Unidos sem que alguns indicadores, aqueles que aparecem em exame de sangue, piorem! Mas, tudo bem, nada que alguns dias de frutas e boa dieta não resolva na volta!

 

Boa sorte e boa viagem!