De trem pelo leste-europeu

07/01/2015 08:31

 

Andar de trem pelo velho continente é uma atração à parte. Eles são, como regra, modernos, rápidos e seguros. Podem ser razoavelmente baratos, caso você tome providencias para adquirir seus bilhetes no tempo e lugar certo. Eles compõem uma atmosfera à viagem muitíssimo agradável e assim, mais do que nos levar de um ponto a outro, eles são, por si, uma atração.

 

Em nossa estada no leste europeu, em dezembro de 2014, usamos e abusamos desse meio de transporte. Trataremos aqui de algumas sugestões para comprar bilhetes e bem usá-los, é claro. Nosso roteiro ferrovario foi o seguinte: Frankfurt, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Salzburg, Munique e Frankfurt.

 

Recomendamos que comece a comprar seus bilhetes entre 3 e 2 meses antes de seu embarque. Nesse período encontrará os melhores preços. Para que tenha uma ideia do que isso pode representar em matéria de economia, compramos nossos bilhetes Frankfurt-Berlim com um pouco mais de dois meses antes de viajarmos. Cada bilhete saiu por 19 euros. Caso comprássemos na véspera, estava em torno de 100 euros! Boa diferença, não?

Todos os bilhetes foram de segunda classe. Não há diferenças significativas entre primeira e segunda classe, além de uma bela cortina e adornos no vagão. 

Mas, onde comprar? Recomendamos que não use os serviços de intermediários. Há alguns sites conhecidos que prestam serviços em língua portuguesa. Basta fazer a comparação entre o preço praticado por eles e o preço do bilhete no site da companhia ferroviária. Em alguns casos a diferença é 4 vezes superior. Sendo assim, vá sempre à ao site da companhia ferroviária do pais em que você se encontra. 

 

Normalmente o almoço era no trem. Alguns chamariam de farofa.

 

Dessa forma, nós começamos pela Bahn (www.bahn.de/p/view/index.shtml). Há, obviamente, uma versão em língua inglesa. Será, contudo, preciso um cadastramento no site, nada complicado. Feito o cadastramento, você poderá fazer a compra online dos seus bilhetes e imprimí-los em sua casa. Detalhe: caso compre mais de um bilhete, não se assuste: será impresso somente um papel, em alemão, em que se lê a quantidade de passageiros, partida e destino e classe da viagem. A conferência do bilhete não é feita com o passaporte, mas exclusivamente com o cartão de crédito ou débito que afetuou o pagamento. Isso quer dizer que, quando o coletor lhe solicitar o bilhete, deverá apresentar também o cartão.

O passo seguinte foi comprar bilhetes Berlim-Praga. Tudo bem, pois utilizamos os serviços da Bahn do mesmo jeito que descrevemos acima.

 

Na sequência compramos os bilhetes Praga-Viena. Então a coisa começou a complicar um pouco. Em primeiro lugar porque a companhia ferroviária tcheca não dispôs seus bilhetes com a mesma antecedência da alemã. Ficamos ali monitoriando até que, por volta de um mês e meio antes, foram liberados os bilhetes. O site (czech-transport.com/index.php?id=346), em língua inglesa, não é tão fácil de manejar quanto o alemão. O que você precisa saber é o seguinte: procure por um link em que se lê "train tickets" e boa sorte. Tal como o alemão, você poderá imprimir seu bilhete em casa.

Chegou a hora de compramos os bilhetes Viena-Budapeste. O site da OBB (www.oebb.at/en/) não gerou muito dificuldade, exceto por um fato: não é possível imprimir o bilhete em casa. Recebemos apenas um código para retirar o bilhete em solo austriaco. No final das contas foi também bastante tranquilo. Basta se dirigir para qualquer máquina que vende bilhetes de trem ou metrô, digitar o código e retirar o seu bilhete.

Problema mesmo começou quando tentamos comprar os bilhetes Budapeste-Salzburg. A MAV (www.mav.hu/english/) tem um site relativamente confuso. Mas o pior não foi isso. Dias antes de embarcamos para a Europa ainda não tinhamos comprado nossos bilhetes de trem. A MAV simplesmente não os colocava à venda. Entramos em contato por email com a empresa e fomos prontamente respondidos. Havia uma mudança de horários e não demoraria muito para que os bilhetes fossem postos à venda. O fato é que demorou. Curiosamente, nos sites de intermediários encontramos o bilhete que precisávamos, mas o preço era simplesmente inaceitável. Ora, porque havia bilhetes para terceiros e não no site da companhia? Mistérios... Alguns dias antes de viajarmos eles liberaram bilhetes. Compramos e não havia qualquer tipo de alternativa, apenas um horário. O trem partiria 21 h de Budapeste e chegaria às 2:30 em Salzburg. Vocês podem imaginar o que foi chegar em Salzburg, em pleno inverno, às 2:30 da manhã. Apesar da tensão inicial, no fim deu tudo certo. Observem que, tal como na OBB, a MAV não permite a impressão online dos bilhetes.

O trecho Salzburg - Munique - Frankfurt adquirimos bilhetes mais uma vez pela Bahn.

As paisagens foram inesquecíveis. Boa parte do percurso fizemos sob a luz do dia, foram momentos maravihosos. Exceto pelo frio nas plataformas de embarque, as estações de trem são também bastante confortáveis. A única que deixou realmente à desejar é a de Budapeste (Budapeste Keleti). Mal iluminada e aparentemente suja. Não combina com a bela capital da Hungria.

E o que dizer dessas poderosas máquinas?