Como o brasileiro é recebido fora do pais?

21/09/2014 18:36

 

Não é uma pergunta fácil de ser respondida, muito porque não há uma resposta do tipo única. Nossa resposta dependerá do perfil social do viajante (segundo perspectiva da imigração local) e, é lógico, do pais para o qual o viajante se destina. Vamos falar um pouco de nossas experiências. E vamos começar pelo pior.

 

Tivemos algumas experiências difíceis no estrangeiro. A pior delas se deu na Espanha. A começar pela entrada. Os oficiais da imigração foram bastantes hostis. Éramos muito jovens, não tinhamos muita experiência com viagens, daí a experiência acabaria por ficar na memória como traumática. A sensação que vivemos envolveu um tratamento que é dado aos imigrantes ilegais em potencial. Percebemos que o tratamento era um tanto pior quando se tratavam das mulheres. Nessa linha, tivemos, então, a impressão de que incidia um segundo preconceito: de que a mulher brasileira era prostituta. Fomos testemunhas de pelo menos duas brasileiras sendo deportadas.

 

Barcelona, agosto de 1998.

 

Foi em Barcelona que nos deparamos com a inusitada cena de uma senhora, certamente nordestina, sendo arguida acerca de um tablete marrom em sua bagagem. Nós ouviamos ela dizendo: "É rapadura!" Ao que tudo indica, no entanto, após a crise internacional que atingiu frontalmente a economia espanhola, esse tipo de postura é menos frequente. Fora do aeroporto, já em Barcelona, nos deparamos com gente bacana e educada. Mas também tivemos a infelicidade de encontrar gente grosseira e desleal. Em termos internacionais a Espanha esteve entre nossas piores experiências.

 

A beleza domina o cenário de Praga! (Dezembro de 2014)

 

Não seguiu caminho muito diferente nossa recente visita à Praga. Ao contrário da excelente recepção e acolhida que tivemos em Berlim e da que encontraríamos, na sequência, em Viena, em Praga tivemos o usar de nos deparar em vários lugares com pessoas bastante grosseiras. No final de uma noite de dezembro de 2014 resolvemos, então, ir a um restaurante italiano. Lá o garçon que nos atendeu era albanês e nos deu uma das chaves para os problemas que passamos: "Aqui eles não gostam das pessoas que não falam tcheco", nos disse o rapaz. Pensamos: como não há a mínima chance de aprendermos tcheco, inclusive por falta de interesse, só pudemos lamentar. 

 

A passagem pela imigração nos Estados Unidos também foi bastante traumática. Alguma coisa como passageiros vindos de 3 vôos intercontinentais em um grande salão, apenas dois ou três guichês em funcionamento. O resultado foi 3 longas horas de espera, traumática espera. Ao contrário da Espanha, passado esse trauma, nos deparamos com gente muitíssimo solícita, de tal modo que nos bem impressionou. Nosso balanço é muito positivo.

 

Washington, outubro de 2012.

 

Nossa experiência com a imigração francesa e com o povo francês também é muito boa. Reconhecemos que o parisiense, em especial, eventualmente carrega em seu peito uma certa dose de mal humor, mas nada que não possa ser superado. No geral, nos deparamos sempre com gente bacana e disposta a ajudar.

 

Sentimo-nos bem acolhidos também em Portugal, Bélgica, Austria, Holanda, Inglaterra e Escócia. Na Itália, segundo nossa experiência, o viajante corre o risco de se deparar com algum sujeito, digamos, exaltado. Talvez um traço cultural dos povos ibéricos e da Península Itálica.

 

Londres, janeiro de 2013

 

O leste europeu é uma situação à parte. Não é só pelas distâncias impostas pela língua e outras dimensões da cultura que se sentirá estrangeiro. Em países como a Polônia, onde a experiência com os estrageiros sempre foi, historicamente, difícil, a relação com os turistas de fora do pais pode ter alguma dificuldade. Pessoas não brancas, conforme testemunhamos, também costumam ser alvos de grosserias e outras bizarrices. Em Varsóvia, por exemplo, fomos testemunhas ocular de racismo contra um rapaz negro algumas vezes.

 

Varsóvia, julho de 1996.

 

Por outro lado, todos os preconceitos que por ventura possam ter contra o brasileiro, são sempre contrabalançados pela imagem, em geral, positiva que carregamos. Imagem de povo alegre e festivo, muito amparada nas experiências do futebol e do carnaval.

 

Obviamente são estereótipos, pois muitos de nós não gostam ou sabem jogar futebol e muito menos sambar. Mas, nessa hora, pouco importa.

 

Lembramos de um rapaz norte-americano que nos perguntou, em algum lugar na Europa, de onde eu éramos. Quando respondemos "Brasil", ele pensou um pouco e soltou essa: "ahh sim, um lugar em que as pessoas dançam na rua!". Disse: "Sim, mas costumamos ir trabalhar, passear, fazer muitas coisas andando também".

A bela Santiago do Chile, outubro de 2014.

 

Capítulo à parte é como somos recebidos entre nossos vizinhos latino-americanos. Os vínculos, ainda que frágeis, históricos e laços culturais, nos colocam em uma situação de maior proximidade. Talvez o mais importante de tudo seja o fato de nossos vizinhos, pensamos em paises como a Argentina, Uruguai e Chile, não levam em conta a possibilidade de sermos imigrantes. Sabem que estamos ali para gastar dinheiro. Em resumo, sempre fomos muito bem recebidos. 

 

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