Precisa embarcar com membro engessado em avião? O que fazer?

12/01/2018 19:44

 

Viagem é por natureza uma experiência que implaca surpresas.Infelizmente, ainda que o balanço - pelo menos em nosso caso - seja totalmente positivo, nem sempre as surpresas são boas. No final de dezembro de 2013 estávamos em Londres. Na verdade, mal tinhamos chegado à capital inglesa quando Laura, na altura dos seus 4 anos de idade e tomada pela empolgação de uma Pepa Pig, resolveu dar um arriscado salto da cama. O resultado foi uma fratura em espiral da tíbia direita. Um tipo de fratura relativamente delicada, com potencial risco de cirurgia, mas que em nosso caso não se fez necessária. O acidente, obviamente, mudou o ritmo de nossa viagem, mas não alterou nossa disposição e roteiro. O atendimento médico foi impecável e encontra-se descrito em matéria já publicada (laura-no-mundo.webnode.com/news/acidente-durante-a-viagem-um-depoimento/). 

 

Um ano antes fizemos, a partir de Paris, um bate volta em Londres

 

A viagem, como dissemos, seguiu em frente, e foi possível graças às boas condições do transporte público no Reino Unido. Infelizmente temos que reconhecer que se estivéssemos em um pais com transporte público como nosso, muito provavelmente, a viagem teria rumo diferente.

 

Depois do primeiro atendimento e de superada a dor, a criança, sendo criança, ainda sorri!

 

Resolvida a situação, fomos informados que teriamos alguma dificuldade com o embarque no avião em nosso retorno. A boa nova era que o gesso na perna da Laura deveria passar por um procedimento para que o retorno ao Brasil ocorresse em segurança. Acontece que com a mudança de pressão, no interior da aeronave, a perna da criança (ou mesmo do adulto) sofre uma espécie de dilatamento. A dilatação, por sua vez, põe a saúde da perna (ou do membro engessado) em risco, uma vez que pode sofrer importantes danos na circulação de sangue e na oxigenação do membro.

 

Como medida de segurança é, portanto, necessário "valvular o gesso". O que vem a ser isso? Nada mais é do que abrir um ou dois rasgos no gesso, ou seja, na parte mais dura e sólida. Com esse rasgo o gesso passa a ser mantido íntegro somente graças às gazes. Desta forma é possível que o gesso se espanda, caso a perna aumente de diametro, entende?

 

Ao saber disso, imediatamente entramos em contato com a companhia aérea portuguesa TAP, que, além de exigir o valvulamento do gesso, nos pediu um documento assinado por médico em que se manifestasse a boa condição de Laura para fazer sua viagem de avião em segurança. Mais do que manifestar as condições favoráveis para a viagem, o documento deveria descrever também o procedimento de valvulamento.

 

A viagem seguiu, apesar da insistente chuva londrina 

 

 

Assim fizemos, e não custou barato. Atente-se que todo o serviço médico prestado pelo NHS inglês não nos foi cobrado.Compreendido como cuidados de emergência, não houve ao final qualquer fatura. No entanto, ao pedirmos o documento e o serviço de valvulamento, a coisa mudou de figura. Passou a ser encarado como "serviço adicional" à emergência. E de fato era. 

O fato é que saímos de Manchester (UK) para Lisboa em um vôo da TAP que nada nos foi solicitado. Quatro dias depois embarcamos de Lisboa para o Rio de Janeiro. Mais uma vez ninguém da TAP nos interpelou sobre o tal documento ou procedimento de valvulamento. Nós, obviamente, não questionamos o silêncio, vai que a coisas implicasse mais alguma confusão? Chega, né?

Tivemos, ainda, notícia de que se fosse um adulto com gesso em pelo menos em uma das pernas o próprio seria obrigado a reservar (e pagar por) uma nova poltrona, uma vez que esticar a perna para baixo - ao menos na classe econômica - seria impossível. Como Laura tinha apenas 4 anos recém completados, foi possível que a pequena viajasse com alguma tranquilidade em uma única poltrona. E assim foi!

 

Concluimos o seguinte: o valvulamento é importante, pois aumenta a segurança no vôo para a pessoa que está com gesso. O documento é apenas uma solicitação burocrática. Sendo o valvulamento importante, e portanto deve ser feito, na dúvida não deixe de pedir uma descrição por escrito da situação do viajante engessado. Não estando o texto em português, recomendamos que esteja em língua inglesa. E boa viagem.