Viajar na crise: algumas palavrinhas sobre o mercado para os viajantes

14/07/2017 19:48

 

O mercado de viagens, como regra, não está para peixe. Registramos um aumento importante no preço das passagens aéreas, sobretudo internacionais desde o ano passado. Bancar passagens, diárias de hotéis, compra de moedas estrangeiras e tudo o mais que demanda uma viagem internacional não se tornou tarefa fácil. O receituário básico está aqui (laura-no-mundo.webnode.com/news/como-viabilizar-viagens-internacionais/) e certamente poderá ajudar o viajante.

 

O mercado nacional potencialmente se aquece, mas ninguém pode dizer que nos destinos turísticos mais importantes os preços estejam uma maravilha. Vide Salvador, BA.

 

Mesmo os viajantes mais experientes não conseguem mais compreender adequadamente o comportamento do mercado. Por exemplo, nós que viajamos cronicamente há mais de seis anos ininterruptos,  já tinhamos os nossos macetes e malandragens. Sabiamos a melhor hora de comprar bilhetes, seja com grana, seja com milhagens e por ai vai.

 

 

Mas o mercado de milhagens, sinceramente, virou de ponta à cabeça. Todo ano não passávamos de março para adquirir pelo menos um bilhete aéreo transcontinental. Esse ano isso só foi possível no final de abril, e com muita dificuldade! Será que aumentou a demanda por esse tipo de negócio? Pode ser. Temos lido que esse mercado, de milhagens, tem aquecido muito nos últimos anos. Pela quantidade de propaganda e "promoções" se pode aquilatar que a coisa tem sido levada mais à sério pelo empresariado. Por outro lado, dada a carência de moeda circulando, talvez as pessoas estejam também se apropriando mais desses recursos - as milhagens - para bancar seus rolés pelo Brasil e pelo mundo.

 

 

Se isso faz sentido, há que se supor que teria havido uma diminuição na demanda por bilhetes aéreos em grana, certo? Isso ocorre? Parece que sim, uma vez que o número absoluto de pessoas que viaja de avião no Brasil tem caido bastante. Segundo dados da Agência Nacional de Avião Civil (ANAC), a queda do número de passageiros em aviões em 2016 teria sido, com relação ao ano anterior, alguma coisa como quase 8%. Não é um valor desprezível, se considerarmos especialmente que há uma década crescia ano à ano o número de viajantes. É possível que os dados relativos ao ano de 2017 sejam um pouco piores, há que se ver.

 

 

Ok, então tem menos gente andando nos ares. Parece que aquela máxima do mercado, segundo os liberais, pelo menos, de que a queda na procura deveria resvalar numa queda dos preços não se deu. Obviamente, o mercado é muito mais complicado do que o imaginário liberal é capaz de conceber, sobretudo quando se trata de setores econômicos que tem uma trajetória de subsídios e relação de quase dependência do Estado. Enfim, questões econômicas e políticas à parte, o fato é que o preço das passagens não só caiu, como subiu. O mar não está para peixe.

 

 

Passagens baratas seriam miragens? Claro que não. Se o viajante monitorar o mercado, seja no site das companhias, seja em serviços de intermédiários (websites de vendas, agências etc), certamente poderá se deparar com preços, vez e outra, bem interessantes. Por exemplo, há cerca de um mês fomos testemunhas de bilhetes aéreos com valores relativamente generosos para Londres e Nova Iorque. Quem tem milhagens em conta, também deve ficar atento, pois há boas promoções no circuito. O Smiltes, por exemplo, tem oferecido passagens por 35 mil milhas para Nova Iorque. Não é mal.

Enfim, vale o de sempre, paciência e disciplina. E um pouco de sorte, é claro.