Viagem com amigos: cuidados e desafios

11/04/2014 07:46

 

Em julho e agosto de 1996 fizemos, junto com alguns amigos, uma longa viagem pela Europa. Demos entrada no Velho Continente por Barcelona. Depois de alguns dias fomos para o sul da França; norte da Itália; Viena; perambulamos pela região da Saxônia, na Alemanha, com uma rápida passagem por Berlim; na sequência Amsterdam, Paris e Bruxelas. Foi um roteiro feito por então jovens para jovens. Todos, na altura dos nossos vinte e poucos anos, estavamos dispostos a caminhar, e assim fizemos, sem economia de sapatos. 

 

Tudo parece flores, mas há espinhos também. À começar pelo fato de as pessoas terem diferentes interesses e disposição diante do percurso e do roteiro. No primeiro dia os conflitos não são muito sentidos, mas lá pelo meio do caminho, o que era facilmente tolerável, passa a ser alvo de maior insatisfação. 

 

Brinde com amigo viajante em um pub em Londres (Laura no carrinho dormindo!), janeiro de 2014.

 

Por exemplo, algumas pessoas são mais contemplativas, apreciam ficar por algum tempo em um local ou destino. Outros, ao contrário, são mais agitados, e preferem se divertir no "volume". Não é que essa ou aquela perspectiva seja a melhor, o problema é que a convivência de ambas não ocorre sem algum nível de estresse. O curioso é que isso se revela de forma independente da "qualidade da amizade". Explicamos: bons amigos no Brasil não são necessariamente bons companheiros durante uma viagem.

 

Uma sugestão para se evitar desentendimentos é, antes da viagem, todos pactuarem um roteiro mínimo. Ou seja, aquilo que todos concordam em visitar e conhecer. Significa que esse roteiro será compartilhado por todos. Todos estarão potencialmente juntos. Ninguém se sentirá no direito de se perceber contrariado ou governado pela vontade do outro companheiro de viagem.

 

A viagem, contudo, não deve se transformar, jamais, em uma camisa de força. O roteiro mínimo não deve ser máximo. Isso quer dizer que deve existir espaços para o inesperado ou não programado. De repente, em função de conflitos de interesses ou agendas, que cada um faça seu programa, sem problemas e tensões adicionais. O fundamental é que, em uma política de flexibilização e respeito à opinão alheia, sejamos capazes de nos divertir e não transformar a viagem em uma fonte de estresse.

 

Com amigos em Praga, dezembro de 2014.

 

Muito recentemente colocamos em prática e testamos esses conselhos: viajamos com amigos para o leste-europeu: Frankfurt, Berlim, Praga, Viena, Budapeste e Salzburg. Não é fácil comparar essa com aquela viagem, pois a diferença no tempo impõe diferença na idade dos viajantes, mais maduros e eventualmente mais dispostos à reconciliação. Seja como for, o processo de preparação da viagem envolveu, em bares do Rio, interessantes e animados encontros entre todos: nos divertindo, programávamos e pactuávamos nosso roteiro e programação. Tudo deu certíssimo!

Como o processo preparatório dá um certo trabalho - e pode representar um certo fardo para alguns viajantes - não é à toa que alguns viajantes prefiram fazer suas viagens de forma solitária....

 

 

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