Viagem é também improviso: entenda

17/08/2014 18:55

 

Recentemente discutimos aqui sobre a conveniencia de sua viagem ser planejada (ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/bastidores-trabalhando-um-roteiro/). Precisamos, contudo, reconhecer que, por mais que planejemos, a vida não se permite curvar-se inteiramente aos nossos planos. Dito claramente: o imprevisível ocorre.

 

Em outra conversa tratamos do acidente de Laura em Londres (ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/acidente-durante-a-viagem-um-depoimento/) que, de longe, foi a experiência que nos obrigou a ser mais criativos em nossas viagens. Vejamos.

 

Uma fratura, delicada fratura, na perna de uma criança de 4 anos de idade em um pais estrangeiro. Um acidente que apontava para uma série de cuidados a partir dai. Úrsula, imediatamente, olhou para o Carlos e disse: "vamos voltar para o Brasil". Carlos, mais teimoso, logo disse: "de modo algum, vamos continuar e nos adaptar". E assim foi. O que chamamos de adaptação envolveu desde questões mais objetivas, como o deslocamento de Laura; até questões relativas ao nosso estado de espírito, bastante abalado por conta de acidente. Trataremos aqui do primeiro ponto.

 

Precisávamos de alguma coisa que permitisse deslocamento de Laura de uma forma que sua perna esquerda permanecesse estendida. Cadeira de rodas veio logo à cabeça. Imaginos, contudo, que o aluguel de uma cadeira, além de bem caro, teria de lidar com o seguinte problema: não ficariamos só em Londres, mas tinhamos, ainda, 4 cidades pela frente, uma delas fora do Reino Unido. Teríamos que, em cada cidade, alugar uma cadeira? Complicado, não? Então começou o tal do improviso.

 

Uma bolsa para laptop, repleta de roupa suja, se transformou no apoio que precisávamos. Devidamente amarrado e sempre reamarrado durante o deslocamento, resolvemos um dos problemas. Precisávamos, ainda, de alguma coisa que permitisse que a Laura ficasse com o corpo mais para frente e menos deitado. Então resolvemos pegar emprestado um travesseiro do hotel. Essa engenharia toda gerou o que se pode ver na foto abaixo. Um carrinho que, desde então, chamamos carinhosamente de The Gipsy.

 

O carrinho foi comprado para uma viagem para Buenos Aires, mas resistiu até Paris (inclusive, por descuido nosso, caindo no Sena), passou por várias cidades do Reino Unido, inclusive pelas ladeiras da Escócia, até se desintegrar nas ladeiras de pedra de Lisboa. O que sobrou de nosso herói hoje se encontra em casa como uma espécie de medalha de nossa resistência e paciência.

 

O que fica como legado? Viagem não é feita para quem desiste fácil. É preciso ter calma e alguma coragem para improvisar. A vida segue!