Veneza no verão: analogias com o formigueiro

08/04/2014 08:25

 

 

Estivemos em Veneza no final do verão europeu de 1998. Chegamos no início de uma ensolarada manhã na cidade à beira do Adriático, vindos de Marselha, no sul do França. Para quem não conhece a região, é preciso dizer que há, na verdade, duas cidades de Veneza. A Veneza antiga, que todos nós conhecemos pelas fotografias; e a chamada Veneza Mestre. Essa última é a cidade moderna, com prédios grandes, aeroporto etc. O trem passou rapidamente pela Veneza Mestre e, quando nos demos conta, estávamos atravessando a ponte que dava acesso à Vaneza antiga. Nessa hora o sol nascia. Uma cena inesquecível. 

 

A cena inesquecível contrastou com a multidão de pessoas que estava no desembarque da Estação de trem. O restante da cidade não seguiu caminho diferente. Era tanta gente pelas suas vielas que fazia lembrar uma romaria católica. Mapas e guias tornaram-se imediatamente dispensáveis, pois a multidão não nos dava escolha. Bastou segui-la, ou melhor, não resistir aos empurrões, que o “roteiro” ia sendo instantânea e espontaneamente construido. É uma belíssima cidade, mas depois da experiência em um formigueiro chamado Veneza, decidimos que teriamos que voltar em um momento mais tranqüilo, certamente fora da alta estação. 

 

 

Parece um mero detalhe, mas não é. É preciso considerar sua visita com o momento pelo qual passa a cidade. Não temos dúvida de que a alta estação compromete bastante a qualidade do passeio. Não podemos deixar de imaginar o que seria ver aquelas vielas e canais em um momento em que a visitação estivesse um pouco mais tranquila, talvez por volta da primavera ou outono.

 

Apesar disso, não podemos dizer que tenhamos nos arrependido. Veneza está entre esses lugares que, por ser tão única, merece sua cuidadosa espreitada.

 

Matéria relacionada:

 

Venezalaura-no-mundo.webnode.com/products/veneza/