Turismo de guerra

22/01/2015 18:23

 

Guerra é um acontecimento trágico. Talvez dos piores, pois desestabiliza e desorganiza tudo que se conhece. Transforma o animal humano no pior: em apenas um animal. Bárbaries são cometidas em uma espécie de delírio sociológico. Matar se transforma na regra, ao invés de algo que se deveria punir na lei e reprimir nos sentidos e em algum senso moral. 

 

Poucos fenômenos são tão sociologicamente mais desestabilizantes. Isso nos desperta o interesse.

Monumento no centro de Londres, janeiro de 2013.

 

Se pensarmos a guerra em sua escala, digamos, industrial, a primeira grande experiência com ela foi nos deparar com Auschwitz, no sul da Polônia. Estivemos por lá em meados de 1996. Uma experiência difícil de esquecer (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/products/auschwitz-polonia/). a própria capital do pais, Varsóvia, sofreria de tal modo a experiência da guerra que, de algum modo, em nossa opinião, deixaria marcas profundas no modo de vida local. O estrangeiro como algo potencialmente ruim parece tomar corações e mentes por aquelas bandas, pelo menos, por muito tempo depois. E não foi à toa, além da cidade ter sido completamente destruida durante a Segunda Guerra Mundial, basta um passeio no em torno da capital para entender o que é sofrimento, ele se chama Katyn (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/katyn-os-horrores-da-guerra/)

 

Dois anos depois, com os olhos voltados para uma guerra que se dizia fria, fomos para a região alemã da Saxônia. Ali assistimos cidades vazias e apagadas pela prosperidade que reluzia à oeste (ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/e-caiu-o-muro-turismo-tambem-e-historia/)

 

Alguns anos depois, quando visitávamos Buenos Aires, lembramos que ao chegar ao monumento à memória dos soldados mortos na Guerra das Malvinas um dos soldados sentinelas olhou-nos um pouco assustado. De imediato coloquei a mão na cabeça e entendi: acontece que meu boné tinha uma pequena bandeira inglesa! Gafé bélica, digamos.

 

Anos mais tarde, no final de 2013, quando fomos para a Inglaterra, que ironia, conheceríamos os museus dedicados ao tema da guerra mais fantásticos que pudemos ter acesso. São eles, o Museu Imperial da Guerra, de Londres (ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/londres-museu-imperial-da-guerra-/) e o Museu Imperial da Guerra da Cidade de Manchester (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/manchester-imperial-war-museum/)

Acervo do Museu Imperial da Guerra, dezembro de 2013.

 

Londres, como é de conhecimento de todos, é profundamente marcada pela experiência da Segunda Guerra Mundial (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/londres-pensando-na-guerra/).

 

Depois fomos para Lisboa e descobrimos que, a despeito do pequeno pais ibérico estar situado na Europa, seu grande trauma não foi a Primeira ou a Segunda Guerra Mundiais, mas sim a Guerra no ultramar (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/a-memoria-da-guerra-portuguesa-o-monumento-nacional-dos-combatentes-ultramar/).

Foto feita de um painel em Berlim, dezembro de 2014.

 

Na Alemanha, como era de se esperar, as marcas da guerra estão em todo canto, inclusive nas pilastras de um dos maiores museus da capital (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/o-novo-museu-neues-museum-de-berlim/).

Acervo do Museu de História Militar de Viena, dezembro de 2014.

 

Em Viena pudemos melhor conhecer de perto os sofrimentos causados, sobretudo, pela Primeira Guerra Mundial (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/viena-o-museu-de-historia-militar/)

 

A guerra pode ser também civil, de cidadãos de um pais contra seus próprios compatriotas. Nesse caso, uma das lembranças mais contundentes vem mesmo do exemplo chileno. Estivemos por lá em outubro de 2014 (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/o-museu-da-memoria-e-dos-direitos-humanos-de-santiago-do-chile/).

Túmulo do Presidente Salvador Allende, vítima do golpe militar que inaugura uma ditadura militar no Chile.

Santiago, outubro de 2014.

 

Mas de tudo que vimos, ninguém nos pareceu mais antipático (ou, quem sabe, traumatizado) com estrangeiros do que o povo tcheco. Visitar Praga, a despeito da beleza, teve alguma dificuldade nesse sentido (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/praga-quais-os-perrengues-mais-comuns-/)

 

Seja como for, é duro reconhecer que tais experiências continuaram e continuarão. Uma nova matéria feita em poucos anos poderá renovar esse acervo de posts béllicos, lamentavelmente....