Praga: quais os perrengues mais comuns?

03/01/2015 14:03

 

A capital da República Tcheca é uma cidade lindíssima. Não conhecemos os indicadores de segurança pública local, mas podemos dizer que a sensação de segurança é boa, pois não nos sentimos ameaçados (exceto pela estranha estação central de trem e seus arredores, no final de tarde, não são muito animadores). Além disso, cabe mencionar que a cidade é limpa e bem organizada. A despeito da beleza, que ao mundo encanta, a cidade tem, pelo menos, um problema realmente comprometor e um problema, digamos, relativamente superável. Vamos a eles.

 

1) O problema mais sério para quem visita a cidade, de longe, é o mau humor do tcheco. Para que se tenha uma ideia, caso importune alguém na rua para pedir ajuda correrá o risco de ouvir poucas e boas. A sorte é que não entendemos uma única palavra. Pelo tom e gestos, imaginamos que coisa delicada não era. Mesmo em lugares em que atuam profissionais do turismo, como hotéis, a recepção é fria e, não pude deixar de observar, sem sorrisos. Temos a nítida sensação de que não queriam que estivéssemos por lá. Podemos dizer que não era uma surpresa tal comportamento, pois ao levantar informações sobre a cidade na internet, um dos problemas unanimimente revelados era esse traço de comportamento do cidadão da cidade. No entanto, viver é bem diferente de ler, é lógico. 

 

 

Ficamos tão intrigados com relação às razões que levavam o cidadão de uma cidade essencialmente turística a tratar tão indelicadamente o turistica que resolvemos, quando pudemos, especular sobre o assunto. Jantamos em um restaurante de comida italiana, no centro da capital. O garçon, muito simpático, logo revelou que não era da terra. Então não resistimos e perguntamos qual era a sua origem. Ele nos disse: era da Albânia. Diante dessa informação nos sentimos à vontade para fazer uma pergunta bem chata: "Afinal, por que os tchecos ou parte importante deles, não tratam bem os estrangeiros?". Ele nos disse: "Eles não gostam de ninguém que não fale o tcheco". E nos disse, ainda, que tinha passado muita dificuldade para se integrar à sociedade, até que, evidentemente, passasse a dominar aquele idioma. Bem, nos lamentamos, pois não havia a mínima possibilidade de aprendermos tão intrigante idioma. Digamos que o custo não compensaria os benefícios.

 

A raiz do problema certamente tem fundo histórico. Aquela região, precisamos reconhecer, sempre teve uma experiência muito difícil com os estrangeiros. Que o diga a complicada relação, respectivamente, com alemães e soviéticos. Mas são águas passadas, mais do que passou da hora dos tchecos compreenderem que a nossa visita aquecia a fria economia deles. 

 

Para que possam dimensionar o tamanho desse problema, podemos dizer que não nos arrependemos em nada pela visita, mas outra não haverá, pelo menos por motivos ligados às férias ou lazer.

 

2) Um segundo problema, sem dúvida, é a língua. Os nomes dos locais, estações do metrô, ou o que for, são impronunciáveis. Somado ao problema acima, tudo fica um pouco pior. Para minha surpresa, ao contrário do que tinha me dito uma garçonete em Berlim, uma parte expressiva dos tchecos fala ou compreende a língua inglesa. Outra parte talvez não queira mesmo compreender ou falar...

 

 

Por essas razões, com pesar não sugerimos uma estada muitíssimo longa nessa belíssima cidade.