Ponte com cadeados: as cidades se contaminam!

15/11/2014 22:17

 

Em dezembro de 2012, quando Laura tinha apenas 3 anos de idade, nós fomos para Paris. A capital francesa está entre nossas viagens preferidas, pois tudo deu certo! Nos divertimos muito. Obviamente não é difícil deixar de se divertir em uma cidade como Paris. Ela é repleta de atrações, de beleza, enfim, de muitas coisas para fazer.

Não precisamos pensar em coisas sofisticadas, basta caminhar pela cidade para nos depararmos com situações inusitadas. Uma delas é a chamada Pont des Arts - também conhecida pelo justo nome de Ponte dos Cadeados (duas fotos abaixo). Surgiu como uma iniciativa dos casais romanticos que queriam deixar registrado, na forma de um cadeado, a amor e o vínculo entre os pares. A moda pegou e várias pontes de Paris foram objeto de iniciativas semelhantes.

 

 

Nesse mesmo ano, a Prefeitura de Paris já faria uma campanha para que casais deixassem de fixar seus cadeados nas pontes. O motívo é simples: aos milhares, eles pesavam muito e colocavam a estrutura das centenárias pontes em risco.

 

 

Nesse mundo globalizado de trocas, a iniciativa parisiense logo contaminaria outras pontes do mundo. Como um virus, vimos multiplicar esse estranho hábito em vários cantos do planeta. Uma iniciativa semelhante - ainda que timida - está em uma das pontes que atravessam o Rio Mapucho em Santiago do Chile. Lá vimos, mais uma vez, os cadeados fixados. Aquilo que os franceses tentavam superar, estava sendo importado - na altura de outubro de 2014 - como forma de demonstração de afeto entre os chilenos (duas fotos abaixo).

 

 

Não demorará muito para que os chilenos cheguem as mesmas conclusões a que chegaram franceses. Terão tempo para isso, há ainda muito espaço para fixação de cadeados!

 

 

Alguns meses depois, estivemos Budapeste e lá encontramos eles, mais uma vez! (foto abaixo)

 

Dai seguimos para a pequenina Salzburg, na Áustria, e o que encontramos?

 

Para quem viaja cronicamente, como a gente, é sempre interessante perceber não só a diferença entre países e culturas, que em geral, aliás, salta aos olhos. É igualmente interessante perceber as iniciativas e formas que aproximam povos. Não se trata apenas de "copiar", se copiou é porque fez sentido. Não nos interessamos em copiar alguma coisa que não entendemos ou sejamos incapazes de atribuir significado. Sendo assim, chilenos, hungaros e austriacos - ou parte deles - encontraram sentido em fixar cadeados em pontes como expressão de afeto e romantismo, tal como os franceses.

Viajar, em resumo, tem essa coisa: vemos diferenças, mas também semelhanças. As últimas são igualmente interessantes, pois dão conta do que nos aproxima ou aproxixa povos e culturas distintas.