Os fantasmas da rota Varsóvia-Cracóvia

15/08/2014 07:37

 

A Polônia é um pais fantástico. Destino ainda pouco visitado pelos brasileiros que, ao chegarem à leste, preferem a República Tcheca, a Áustria, a Hungria e até mesmo a Russia. A Polônia normalmente é esquecida. É preciso reconhecer que sua capital não está entre as mais belas do continente. Mas, em nossa opinião, caso estejam pela região, vale sim sua visita (temos uma sugestão de roteiro: laura-no-mundo.webnode.com/products/varsovia-em-um-dia/.

 

Em nossa estada por lá, nos idos 1996, tivemos oportunidade de conhecer a capital, algumas das cidades situadas em suas redondezas, bem como o sul do pais, quando fomos à Cracóvia e Auschwitz (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/products/auschwitz-polonia/.

 

Estivemos naquele pais, portanto, há cinco anos apenas do fim do regime comunista. Um regime que deixou importante legado para boa parte da população, mas que deixou também, sobretudo, muito rancor e repulsa. Ele era sinônimo do domínio soviético naquela região. Ao cair a URSS, os países que eram satélites se desprenderam e passaram a seguir, com maior ou menor sucesso, seu próprio destino. 

 

 

Encontramos, assim, um pais em profundas transformações. Um pais que exorcisava seus fantasmas do passado e, com muita fé, vislumbrava um futuro de liberdade e democracia. Bem, há apenas cinco anos depois tivemos a chance de ver manifestações na capital. Eram trabalhadores do Porto de Gdansk, os mesmos que tiveram papel muito ativo no processo de luta contra do domínio soviético e o comunismo no pais. Agora, pelo que pudemos ver, eles se queixavam das contra-indicações de um liberalismo exarcebado, que se expressava visivelmente nas ruas: desempregados e gente pedindo esmola para todo o lado. Eram os novos tempos, também com seus novos problemas.

 

Nessa atmosfera pegamos um trem para a bem mais bela Cracóvia. Um viagem bonita, em um velho trem, pelos campos da Polônia. Nesse percurso vimos uma cena no mínimo inusitada: em meio à uma rasteira plantação, uma poltrona, dessas que temos em salas de espera, e um senhor sentado, como se estivesse ali transferido por uma máquina de teletransporte. Parecia que via TV, quando tinha à sua frente o infinito do campo. Era como um fantasma.

Não poderia ter tido visão mais estranha à caminho de Auschwitz. O mesmo caminho que, como vemos em filmes, os camponeses passavam as mãos em seus pescoços, em inequívoco sinal de guilhotina e de morte. E nos vagões cheios do trem, gente aterrorizada, com encontro marcado com o fim. Aquele senhor era como um fantasma: o fantasma de Auschwitz!