O campo de concentração nazista de Sachsenhausen

02/04/2017 15:40

 

Pode soar estranho - e de fato é - visitar um local em que o sofrimento é a palavra que mais o define. Há várias razões para isso, das razões eminentemente pessoais até questões que envolvem um certo de debate público sobre preservação de memória, sobretudo em um contexto em que o fascismo não é exatamente página virada. Juntando tudo isso, não resistimos e visitamos o Campo de Concentração de Sachsenhausen, na Alemanha. Registre-se, de saída, que não foi o primeiro campo de concentração que tivemos oportunidade de conhecer na Euopa. Há bons anos atrás visitamos o maior e mais temido deles, o de Auschwitz, na Polônia (ver: laura-no-mundo.webnode.com/products/auschwitz-polonia/)

 

A entrada do campo de concentração de Sachsenhausen

 

 

Se, portanto, um passeio desses não é algo que soa estranho para aquele que visita a Alemanha, segue nossa sugestão: não deixem de visitar o campo de concentração de Sachsenhausen. Ele está situado na pequena Oranienburg, há cerca de 35 km de Berlim. O percurso pode ser feito tranquilamente de trem. 

 

A pequena estação de Oranienburg

 

Como se vê na foto acima, chegamos no campo em um dia daqueles caprichados de inverno alemão. Mas tudo o mais ajuda: ao desembarcar na estação, você logo verá a sinalização para o campo, não há como se perder.

 

À caminho do campo

 

 

As placas informam cerca de 2 quilômetros de caminhada. Parece muito, mas se faz o percurso em não mais do que 30 minutos. A chegada ao campo logo impressiona.

 

 

Ele é maior do que se podia imaginar.

 

 

Que fique claro: não é apenas um campo de concentração. É um museu, e dos bons. 

 

 

A visita poderá levar um dia inteiro. Mas vamos por partes. Eis a entrada:

 

Arbeit macht frei ("o trabalho liberta"), frase que se reproduziria em outros tantos campos espalhados pela Europa.

 

É preciso que se diga que o Campo de Concentração de Sachsenhausen foi o primeiro a ser construido (1936) na era nazista como modelo para os demais. Ali, a medicina e a ciência se alinharam à política, no sentido mais perverso que se podia ter, e cientistas e/ou militares começaram a produzir morte em escala industrial. Por industrial entenda-se não somente a quantidade fabril de assassinatos, mas também pelo uso de métodos ditos "científicos". 

 

 

Como se vê na foto acima, estava tudo muito vazio. Nós chegamos cedo e pudemos desfrutar de todo o percurso sem o convício das multidões. Pelo menos até o início da tarde, quando a quantidadade de gente circulando tinha aumentado bastante. Aliás, a entrada no campo é livre, há apenas a cobrança de uma pequenina taxa para aqueles que quiserem a companhia de um audio-guide. Fica a dica: vale muito à pena. E mais: há várias línguas disponíveis, inclusive a portuguesa.

 

O aparelho de audio-guide

 

Tem que caminhar!

 

O frio era muitíssimo intenso. Logo nos sentimos obrigados a entrar nas dependências de um dos prédios que estão situados no interior do campo. Por acaso começamos por um dos espaços mais difíceis: a antiga enfermaria. Ali tivemos acesso a uma exposição permanente que discute a relação entre medicina, ciência e política. Absolutamente incrível! Há que se pensar até onde o visitante gostaria de ir. Explicamos: tudo é muitíssimo difícil. As informações sobre o uso de crianças como experimento médico não são fáceis de serem encaradas.

 

 

Depois o visitante, em sentido anti-horário, seguirá o fluxo dito normal da visitação. É chegada a hora de visitar o espaço onde os prisioneiros ficavam:

 

O "banheiro" dos prisioneiros

 

Nesse prédio se pode notar sinais de fogo. Logo fomos informados que, ao ser inaugurado o museu, grupos de extrema direita ingressaram em suas instalações e puseram fogo no prédio. O local foi reformado, mas este vestígio - uma espécie de segunda camada de violência - ali permaneceu como uma lembrança de como estamos sempre sujeitos ao retorno do monstro do fascimo. Hitler morreu, mas suas ideias infelizmente não.

 

 

Abaixo um dos momentos mais difíceis: a visita ao forno crematório

 

 

Tudo é dor

 

 

Os prisioneiros que sobreviveram à brutalidade do campo só seria libertos ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. A chegada dos soviéticos foi decisiva e abriria um novo capítulo na história daquele lugar.

 

Entrada do museu soviético

 

Ao se instalarem, os soviéticos logo definiram uma nova missão para o campo: manter presos nazistas, bem como pessoas consideradas inimigas do stalinismo. Ou seja, o campo, novamente em outra camada de história, se renovou em seu exercício de brutalidade.

 

 

É sem dúvida uma visita imperdível para aqueles que, é lógico, se interessam por este tipo de assunto.

 

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