Manchester: The Hacienda e o rock dos anos 80

11/04/2014 18:39

 

Manchester não está no centro do turismo britânico, sequer está no roteiro das cidades turísticas médias do pais. E há uma razão para isso: não é uma cidade bonita e repleta de atrações que justifiquem o investimento. Outrora, a cidade ocupou posição importantíssima na Inglaterra, quando Manchester fora o centro da revolução industrial na Inglaterra e no mundo. Caso se interesse por esses aspectos, é preciso dizer que a cidade tem muito a oferecer. O Museu da Ciência e da Indústria, o MOSI, por exemplo, é um bom exemplo. (ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/aos-interessados-em-ci%C3%AAncia-e-industria%3a-o-mosi/).

 

Mas não foi a indústria e a ciência que motivou originalmente a nossa visita.

Nascido no inicio dos anos 70, éramos jovens, adolescentes, quando bandas britânicas como The Smiths, Joy Division, New Order e muitas outras tomaram o cenário da música pop e o rock internacional. Esses também jovens músicos, mais do que constituirem parte da trilha sonora de minha geração, também incutiram valores estéticos e uma postura de descompromisso com a ordem (pelo menos se comparados aos mais bem comportados roqueiros dos anos 50 e 60).

 

Conhecer o berço desse cenário musical e cultural fazia parte de nosso imaginário há muito tempo. Viamos, intrigradamente, as fotos de Manchester nos LPs dos Smiths e outros artistas locais. Um cidade cinza, cercada de fábricas, sem encantos, mas que fora o palco de bandas e de músicas que nos encantavam. Foi então que resolvemos, a partir de Londres, dar um "pulo" nessa cidade. 

 

 

A cidade não propriamente decepcionou. Era inverno e chovia bastante. Aquele aspecto cinzento e molhado tinha tudo a ver com o cenário que imaginávamos: havia um natural ar de decadência em Manchester. As fábricas e os tijolos vermelhos que decoram toda a cidade completam seu ar de vila industrial. Pensamos: vamos à origem de tudo: The Hacienda Fac51. Originalmente um clube, aberto em maio de 1982, foi o centro do cenário musical mancuniano (ver foto abaixo).

 

Pegamos um Tram (espécie de bonde) e seguimos rumo à periferia da cidade. O clube está hoje situado em um lugar que não anima. Uma estrada, com seus carros que vem e vão. Comumente vemos turistas, com mapas nas mãos, confusos a procurar um endereço que parecia nobre. Parece, contudo, que ele não combina com a parede vermelha, cheia de cartazes à beira Whitworth Street West. Bate uma decepção, precisamos confessar.

 

Se pudéssemos deixar o coração fora disso, diria que não vale a pena o esforço de ir até aquele local tão sem vida (ainda mais empurrando o já torto carrinho da Laura). Caso não curta música e, sobretudo, não curta as bandas que ali nasceram, não exitamos em dizer: Manchester não valerá sua visita.

 

Caso a música dos 80 tem algum significado para você, bem, nesse caso vale muito a pena considerar uma curta estada.

 

 

 

Roteiro para visitar Manchesterlaura-no-mundo.webnode.com/products/manchester-roteiro-de-3-dias/