E caiu o muro! Turismo também é história

19/08/2014 07:21

 

Todos que estão na casa dos 30 e tantos anos em diante, hoje, poderão se lembrar das marcantes cenas na TV que retrataram, ao vivo, no final dos anos 80, a surpreendente queda do muro do Berlim. Viamos a população eufórica, tomada pela esperança de reencontrar a vida deixada do outro lado, muitas vezes na forma de amigos, parentes e amores. Foram anos duros que, naquele momento, pareciam ficar para trás.

 

A queda do muro, no início de novembro de 1989, mudaria a história do povo alemão. A unificação, processo que se arrastaria a partir de então, se revelaria complexa e delicada. Não bastava a vontade de muitos, havia entraves construidos pelas diferenças sociais, econômicas e de mentalidades fincadas no tempo.

 

Menos de dez anos da queda do muro estivemos em uma pequena cidade, na região da Saxônia, chamada Halle. Ela teve seu papel histórico na emergência do protestantismo, bem como na existência de um de seus mais ilustres cidadãos: Goethe. Destaque também teve na música (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/para-os-amantes-de-musica-classica-um-pouco-de-chopin-e-haendel/)

 

 

Chegamos no final do verão europeu, vindos da Áustria. Na pequena estação ferroviária de Halle algo ao mesmo tempo inusitado e familiar: um documentário sobre a vida de Ronaldo - o dito fenômeno, passava em um telão. Depois das imagens do bairro de Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro, nos deparamos com uma cidade que tinha aspecto de fantasma. Halle parecia meio vazia. Havia ruas inteiras com belas construções, mas seus vidros estilhaçados, pareciam construir um cenário de saque e guerra.

 

Tivemos notícias de que era uma contra-indicação da queda do muro, populações inteiras teriam migrado para as cidades capitalistas desenvolvidas, onde o emprego ainda abundava: Frankfurt, Berlim e Munique, por exemplo. Halle parecia, assim, uma cidade fantasma, vítima do muro que se foi.

 

 

Os que lá estavam não conseguiam esconder sua insatisfação e constrangimento com a situação. Foi lá que fomos testemunhas de jovens neo-nazistas a perambular livrementes pela cidade. (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/neonazistas-na-saxonia-alemanha1/)

 

Alguns jovens que ficaram referiam os parentes idos; outros lamentavam-se pelos estranhos que chegavam: o desprezo pelos estrangeiros não deixava de ser evidente em um simples atendimento em um bar. Ali, parecia que a esperança e a felicidade da queda do muro havia sido substituida pelo desprezo e o rancor.

 

Fazia-nos pensar que o processo de unificação precisaria de mais tempo e, é lógico, políticas públicas que o melhor coordenasse.

 

Mais uma vez o tempo se apresentava como a chave.