Da série Histórias da aviação: bizarrices nas alturas

26/04/2014 08:30

Desde criança eu utilizo esse formidável meio de transporte que é o avião. Na altura dos meus 43 anos, posso dizer que já passei por algumas fases da aviação brasileira e internacional. Cheguei, por exemplo, a viajar, quando criança, em um momento em que o embarque em um avião era um evento social. As pessoas usavam as melhores de suas vestimentas para sentar em um banco que, à época, era um pouco mais generoso em matéria de espaço. Hoje, graças à bem-vinda universalização do acesso desse meio de transporte, o avião se encontra acessível à milhares de pessoas. 

 

Multiplicaram-se as rotas, os dias e horários. A oferta aumentou, ainda que, não à altura das necessidades. A multiplicação também fez aumentar a quantidade de casos, digamos, curiosos no interior das aeronaves. É sobre um deles que eu gostaria de tratar abaixo, sem nenhuma finalidade informativa ou padagógica, apenas divertir, certo?

 

Passei, como eu disse, por algumas situações, no mínimo, curiosas no interior de aeronaves. Um delas - acho que a minha preferida - foi em um vôo da TAP vindo de Lisboa para o Rio de Janeiro, em fevereiro de 2004. A comissária de bordo se dirigiriu a mim e perguntou: "o senhor quer pasta ou frango". Então eu disse: "eu quero frango, por favor". Em um desses momentos mágicos de nossa vida, a comissária de bordo responde: "Só temos pasta!". Imediatamente eu interpelei: "ora, se só tem pasta por que motivo a senhora pede que eu escolha?". Ela arremata: "é o protocolo, senhor, temos que perguntar".

 

A conversa, que faz lembrar uma autêntica piada de português, pareceu-me tão inusitada que eu sempre achei, ao longo desses anos, que se tratava de uma espécie de aberração, uma coisa única, como se diz, um ponto fora da curva. Recentemente tive a surpresa de ouvir na rádio Bandnews o jornalista Ricardo Boechat se queixando de situação semelhante, não envolvendo pasta e frango, mas vinho e outra bebida. Do mesmo modo, ofereceram, mas não havia escolha a ser feita. Era apenas "protocolo".

 

Vivi outras situações bizarras, mas preciso confessar que, a despeito do inusitado de cada uma delas, a mais fantástica foi proporcionada pela TAP.