Cancelou viagem internacional? O que fazer? Nossa experiência.

09/01/2018 19:51

 

Quem acompanha nosso blog já sabe que cada viagem é fruto de um cuidadoso planejamento. As viagens transatlânticas, nem se fala, essas exigem compras com antecedência, pesquisa cuidadosa de hotéis e outras modalidades de estadia, traslados, roteiro e por ai vai. Já tivemos oportunidade de compartilhar nossas dicas e sugestões acerca desses preparativos (ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/como-viabilizar-viagens-internacionais/)

 

Em Paris alugamos um pequeno apartamento ("studio", como chamam) na região do Marais

 

Há sete anos viajamos sem interrupções para vários destinos nacionais e internacionais. Perrengues nunca faltaram. O maior deles, sem dúvida, foi um acidente relativamente delicado em Londres, com direito à hospitalização e tudo mais. Nada que, dias depois, não conseguíssemos superar. Não perdemos tempo e ainda rumamos para a Escócia. Esse ano, contudo, o desafio foi muito, muito maior. Por conta de problemas de saúde de familiar tivemos que cancelar uma viagem há meses costurada e programada. O destino? Madri e a Andaluzia espanhola e, por fim, uma semana em Marrocos. 25 dias de peranbulações que incluam estadas em 8 cidades diferentes, percursos de ônibus, trem e carro alugado. Enfim, uma viagem cuidadosamente estudada.

 

Tivemos a certeza que não era possível o embarque há apenas dois dias antes da viagem. Como é que seria? Perderíamos tudo? Quais as consequências? O que deu certo? E onde erramos? Vamos aos fatos.

 

Companhia aérea: regra geral há mecanismos que dão conta desse tipo de situação. Você pode cancelar seu embarque, mesmo depois de ter feito o check-in, pelo website, por aplicativos de celular ou pelo atendimento telefônico da sua companhia aérea. Nós o fizemos por intermédio dessa última opção. Não há qualquer burocracia para que isto seja feito com segurança. Mas as notícias "boas" terminam ai. Prepare o bolso. Companhias como a Latam cobram 200 dolares para a remarcação do seu vôo, não importantando - pelo menos isso - se a remarcação será em vôo de ida e de volta. Essa salgada taxa inclui também bilhetes obtidos por milhagens, como era também o nosso caso. A notícia igualmente desanimadora é que se o viajante quiser pagar "só" a taxa de remarcação terá que reagendar o vôo para um dia em que a tarifa originalmente adquirida seja a mesma. Se isto não for observado em sua remarcação de vôo, saiba, de antemão, que em alguns casos sairá mais barato adquirir bilhetes novos do que remarcar seu bilhete antigo. Um absurdo? Sim, mas é assim que o bom e velho mercado nos trata. Para você não ficar de todo tristinho, saiba que pelos mesmos 200 doláres você poderá requisitar o reembolso do valor pago pelas passagens aéreas. Essa opção será particularmente interessante caso o viajante não tenha condições de viajar dentro do prazo de validade do bilhete, que é de um ano a partir da compra das passagens.

 

 

O Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 49, diz que se pode desistir da compra das passagens - o chamado "direito de arrependimento" - e solicitar o valor pago integralmente em até sete dias a partir da compra. Esse infelizmente não foi o nosso caso, daí que, se não quisermos perder de todo os bilhetes, teremos que pagar a digníssima taxa. Assim seja.

 

Estadia: aqui não teve sofrimento. Fizemos todas as nossas reservas pelo Booking, imensa maioria com previsão de pagamento no local. Bastou cancelar e pronto. Um dos hotéis já havia debitado em nosso cartão, mas o valor foi devidamente estornado. Esse fato nos dá um recado claro: vale muito a pena reservar estadia com antecedência, pois assim conseguimos as melhores tarifas. Caso o viajante precise cancelar a viagem, a coisa pode ser feita sem burocracia, basta acessar suas reservas no site do Booking e pronto. Imediatamente recebemos um email em que se confirma o cancelamento.

 

Traslados: Aqui acertamos e erramos. Vamos aos acertos: boa parte da circulação na Andaluzia seria feita por intermédio de ônibus. Por que? Os bilhetes de trens não se revelaram muito competitivos. E, tão importante quanto, como iriamos explorar uma região específica, os deslocamentos não seriam muito longos. Contratamos 3 companhias rodoviárias: a Socibus, a Alsa e a Movelia. A primeira, desde o início, se revelou a mais complicada: website relativamente confuso e o sitema de estorno também deu algum trabalho. Nada muito sério. Alsa e Movelia nos devolveram integralmente os valores pagos, a Socibus nos cobrou uma pequena taxa pela desistência. Não tivemos também dores de cabeça com o aluguel de carro, antecipadamente pago, na Europcar (www.europcar.pt), pois o valor foi reembolsado integralmente. O nosso erro ficou restrito ao traslado para Marrocos. Ele seria feito por meio da companhia aérea irlandesa Rynair. Uma opção bem interessante e já experimentada por nós para võos lowcost. Na Rynair o check-in pode ser feito em até 3 meses antes do embarque. Nós fizemos com muita antecedência e não nos beneficiamos disso, pois só poderíamos ter remanejado o dia de embarque caso não tivéssemos feito o check-in. Isso quer dizer que, desnecessariamente, perdemos nossas passagens da Rynair, a única perda total na história dessse cancelamento de viagem.

 

Sem dúvida o trem encanta, mas nem sempre é a melhor opção! (Londres-Edimburgo, em janeiro de 2014)

 

Atrações: A única atração que tivemos que fazer reserva antecipadamente foi Alhambra, em Granada. Após o cancelamento da visita, também recebemos integralmente o valor pago por 3 bilhetes. A Nossa sugestão é que comprem os seus bilhetes no site oficial da atração (www.alhambradegranada.org/pt/info/bilhetesalhambra.asp

 

Obviamente, uma coisa que não tem preço é a decepção de não embarcar. Mas este é um problema que qualquer pessoa que planeja uma viagem com antecedência corre o risco de passar. Como se pode ver acima, contudo, a despeito da decepção, podemos concluir que a antecedência é ainda uma prática aconselhável. Em primeiro lugar porque com ela se pode garantir simplesmente as melhores tarifas, seja para passagens aéreas, seja para estadia e atrações. Em sete anos de intensa agenda de viagens, foi o nosso primeiro grande contratempo. Nas outras oportunidades, pode ter certeza, não nos arrependemos em nada. Acho que agora também não, afinal, fizemos o que tinha de ser feito!

 

Feliz 2018, viajantes!