Assistência à saúde no exterior: fique atento viajante!

08/08/2014 13:40

 

Podemos passar o ano inteiro sem um problema de saúde que mereça comentário, mas, para nosso azar, em plena viagem de férias podemos ser acometidos por uma patologia ou mesmo ser vítima de um acidente que imponha a necessidade de cuidados. Nós, por exemplo, já passamos pelas duas situações: em janeiro de 2013 tive uma infecção de garganta que deu uma atrapalhada em nossas férias em Paris; um ano depois, em Londres, nossa filha sofreu um acidente que modificou substantivamente a viagem (veja o relato: laura-no-mundo.webnode.com/news/acidente-durante-a-viagem-um-depoimento/)

 

Incidentes como o que sofremos exigem importante capacidade de resposta e adaptação frente a problemas que jamais imaginávamos nos deparar, ver relato: laura-no-mundo.webnode.com/news/avi%C3%A3o-e-gesso%3a-problemas-o-que-fazer-/).

 

Esses casos fazem pensar uma coisa: o quanto é importante o acesso aos serviços de saúde. Não é incomum o turista, inclusive por necessidades impostas pela imigração, estar coberto por um seguro-saúde. Sobre esta modalidade de cobertura narramos nossa experiência aqui: laura-no-mundo.webnode.com/news/seguros-saude-oferecidos-pelo-cart%C3%A3o-de-credito-funcionam-nossa-experi%C3%AAncia/)

Deixando de lado o varejo de problemas eventualmente ligados aos seguros-saúde, gostaríamos de informar nosso leitor sobre as três principais estruturas que organizam o oferta de serviços de saúde no mundo. São elas: (1) a liberal; (2) a de seguro-saúde; (3) a de direito social. 

 

Seja qual for o modelo a que seu pais de destino se associe, isto repercutirá na forma como se dará seu acesso - caso necessite - a um serviço local de saúde. Vejamos.

 

O Modelo liberal é tipicamente norte-americano. Sua lógica é totalmente de mercado e os serviços de saúde são ofertados quase que exclusivamente por empresas que são remuneradas exclusivamente pelos clientes ou em combinação com seus patrões (em se tratando de planos empresa). Segundo nos dizem os especialistas, é um dos modelos mais caros e ineficientes do mundo. Sua lógica é de consumo de serviços e, por depender da capacidade de pagamento direta, é considerado altamente excludente. Em termos práticos, sabemos que a saúde é a principal causa de bancarrota entre famílias nos Estados Unidos. Ficou doente, precisará bancar o acesso aos serviços. Como tudo isso é, no caso norte-americano, combinado com baixa regulação estatal, os planos de saúde tornam-se mega empresas, riquissimas; seus usuários, ao contrário, mais pobres e com frágil condição de acesso aos serviços. Significa também dizer que é muitíssimo arriscado viajar aos Estados Unidos sem ter a cobertura de um plano de saúde feito com a finalidade da viagem. Um acidente poderá, como dissemos acima, naquele país, ter encaminhamento muito difícil. 

 

O Modelo de seguro-saúde, também conhecido como modelo alemão, é muito popular na Europa Ocidental. Fazem uso desse sistema países como a Alemanha, França e Portugal. Ele condiciona o acesso aos serviços ao desconto em folha salarial. Foi um modelo que já organizou a assistência à saúde no Brasil com o antigo INANPS. Como se pode imaginar, é um modelo que depende diretamente do nível de emprego, pois o financiamento do sistema é feito diretamente pelo trabalho das famílias. Nesses casos, é também conveniente o viajante ter cobertura de um plano de saúde.

 

O Modelo de Direito Social é o modelo tipicamente inglês. Nele o acesso pleno aos serviços de saúde depende da cidadania. O Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro inspira-se no National Health System (NHS) inglês ao considerar que a saúde não poderá ser convertida a um bem com valor de mercado, como visivelmente ocorre no modelo liberal. O nível de cobertura desse sistema é considerado excelente e, do ponto de vista de sua racionalidade, é considerado também um dos mais eficientes. Não se quer dizer que ele esteja bem, desde os anos 80 esse modelo vem sendo muito criticado pelo liberais e muito de suas características vem sendo pouco a pouco desmanteladas. Ainda assim, e somos testemunhas locais disso, é um modelo que é mais abarcador. O importante, em sua essência, é garantir o acesso. Desse modo, em países como a Inglaterra, o turista poderá, ainda, ter acesso a serviços de saúde sem que tenha que desembolsar recursos. Em alguns casos esses recursos serão necessários, mas vem na forma de taxas que não costumam arruinar economicamente o viajante. Basta ler nosso relato acima para compreender o que queremos dizer.

 

Saúde é muito importante, estudem e entendam as possibilidades colocadas pelos sistemas de saúde dos países para onde se destinam e viagem sempre em segurança